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Trump está disposto a se reunir com Putin 'muito em breve'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse estar disposto a se reunir com seu par russo, Vladimir Putin, "muito em breve", para tentar encerrar a guerra na Ucrânia.
Após uma reunião considerada "muito produtiva" entre seu enviado Steve Witkoff e Putin em Moscou, Trump afirmou na Casa Branca que "há uma alta probabilidade de que uma reunião aconteça muito em breve" com o líder russo.
Segundo a imprensa americana, Trump planeja se encontrar pessoalmente com Putin na próxima semana, antes de uma reunião trilateral com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. No entanto, o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, foi mais cauteloso e disse que ainda há "muito trabalho pela frente" antes de uma possível reunião entre Trump e Putin.
- 'Trabalho pela frente' -
"Hoje foi um bom dia, mas temos muito trabalho pela frente. Ainda há muitos obstáculos a superar e esperamos fazê-lo nos próximos dias, horas ou até semanas", declarou ao canal Fox Business.
A última reunião de cúpula formal entre a Rússia e os Estados Unidos ocorreu em junho de 2021, quando o ex-presidente democrata Joe Biden se encontrou com Putin em Genebra.
O Kremlin considerou "bastante útil e construtiva" a reunião com o representante de Trump. "Os russos expressaram seu desejo de se reunir com o presidente Trump, e o presidente está aberto a se encontrar tanto com o presidente Putin quanto com o presidente Volodimir Zelensky", informou a Casa Branca.
Essa possibilidade foi discutida em conversa telefônica entre Trump e Zelensky, da qual participaram o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, e os líderes de Reino Unido, Alemanha e Finlândia, segundo um funcionário do alto escalão da Ucrânia.
- Ameaça de sanções -
Segundo funcionários americanos, o suposto progresso não evitará sanções aos países que comprarem petróleo e armas da Rússia.
A Casa Branca não detalhou oficialmente quais serão suas ações contra a Rússia, mas Trump havia ameaçado previamente impor "tarifas secundárias" aos principais parceiros comerciais de Moscou, como China e Índia. Ele ordenou hoje um aumento de 25% nas tarifas sobre os produtos indianos, devido à compra contínua de petróleo russo por Nova Delhi.
Sem citar Trump, o Kremlin considerou ontem "ilegítimas" as ameaças de aumento das tarifas aplicadas aos parceiros comerciais da Rússia.
A campanha russa contra a Ucrânia já matou dezenas de milhares de pessoas desde fevereiro de 2022, destruiu grandes áreas daquele país e obrigou milhões de pessoas a fugir de casa. As três rodadas de negociações entre Moscou e Kiev na Turquia não resultaram em avanços para um cessar-fogo.
A Rússia pede que a Ucrânia ceda quatro regiões parcialmente ocupadas (Donetsk, Lugansk, Zaporizhzhia e Kherson), além da Crimeia, anexada em 2014, e que o país renuncie ao fornecimento de armas ocidentais e ao projeto de adesão à Otan. Kiev considera essas condições inaceitáveis.
- Retórica nuclear -
Trump está cada vez mais frustrado com Putin. O Exército russo lançou 6.297 drones contra a Ucrânia em julho, um recorde desde o começo da invasão, segundo um levantamento feito pela AFP com base em dados fornecidos por Kiev. As tropas russas também aceleraram seu avanço por terra.
As relações entre Moscou e Washington se tornaram ainda mais tensas na semana passada, depois que Trump enviou dois submarinos nucleares em resposta a declarações do ex-presidente russo Dmitri Medvedev, sem dar detalhes sobre a ação.
A Rússia, por sua vez, suspendeu uma moratória sobre o posicionamento de armas de médio alcance e acusou os Estados Unidos de reacender a corrida armamentista.
A.F.Rosado--PC