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Israel aprova plano para 'assumir o controle' da Cidade de Gaza
O gabinete de segurança de Israel aprovou na madrugada desta sexta-feira (8) um plano do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para "derrotar" o Hamas e "assumir o controle" da Cidade de Gaza, no norte do território palestino devastado pela guerra e em crise humanitária.
O plano "que visa um controle militar completo da Faixa de Gaza ocupada deve ser interrompido imediatamente", reagiu o alto comissário das ONU para os direitos humanos, Volker Türk, em um comunicado.
Na quinta-feira, Netanyahu havia dito à rede americana Fox News que Israel quer controlar totalmente a Faixa de Gaza, mas "não governá-la" ou "mantê-la".
Sua intenção, detalhou, é "passar o bastão para forças árabes que a governará (...) corretamente, sem nos ameaçar, oferecendo uma vida agradável aos habitantes".
Segundo o plano aprovado, o Exército israelense "se prepara para tomar o controle da Cidade de Gaza, enquanto distribui ajuda humanitária à população civil fora das zonas de combate", afirmou em comunicado o gabinete do primeiro-ministro.
"O gabinete de segurança, por maioria de votos, adotou cinco princípios para pôr fim à guerra", acrescentou.
Os princípios foram especificados como "o desarmamento" do grupo islamista Hamas, "a devolução de todos os reféns, vivos e mortos; a desmilitarização da Faixa de Gaza; o controle israelense da segurança na Faixa de Gaza e o estabelecimento de um governo civil alternativo que não seja nem o Hamas nem a Autoridade Palestina".
- "Abandonar os reféns" -
Atualmente, o Exército de Israel ocupa ou opera em cerca de 75% do devastado território palestino, principalmente a partir de suas posições permanentes ao longo da fronteira.
Bombardeia todos os locais que considera necessários desde o início da guerra, desencadeada em 7 de outubro de 2023 após o sangrento ataque do Hamas em Israel que deixou 1.219 mortos, a maioria civis, segundo um levantamento da AFP baseado em dados oficiais.
As represálias israelenses provocaram 61.258 mortos, também em sua maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas, considerados confiáveis pela ONU.
A decisão do gabinete "significa abandonar os reféns, ignorando completamente os repetidos avisos da liderança militar e a vontade clara da maioria da população israelense", lamentou o Fórum das Famílias, a principal organização de parentes dos reféns.
O líder da oposição israelense, Yair Lapid, criticou na rede social X a decisão do gabinete, qualificando-a como uma "catástrofe que trará muitas outras catástrofes".
"Os planos de Netanyahu para escalar a agressão confirmam sem sombra de dúvida seu desejo de se livrar dos cativos e sacrificá-los em busca de seus interesses pessoais e agenda ideológica extremista", disse o Hamas em um comunicado.
Dos 251 reféns capturados durante o ataque do Hamas em 2023, 49 ainda permanecem retidos em Gaza, incluindo 27 que, segundo o Exército, estariam mortos.
Denunciando "uma virada flagrante no processo de negociação (...) apesar da proximidade de um acordo final", o movimento pró-iraniano advertiu que "qualquer escalada (...) não será um caminho de rosas e terá um custo elevado e doloroso" para Israel.
A China expressou 'sérias preocupações' sobre o plano de Israel, instando-o a 'cessar imediatamente suas ações perigosas'.
A Turquia exortou a comunidade internacional a 'impedir' a implementação do plano de Netanyahu.
- "Não há lugar seguro" -
"As operações terrestres significam mais destruição e morte. Não há lugar seguro em nenhuma parte", disse Ahmad Salem, de 45 anos.
Segundo o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU (OCHA), 86,3% do território está militarizado por Israel e sujeito a ordens de evacuação.
Antes da decisão, meios de comunicação locais haviam relatado divergências entre o gabinete e o chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, que se oporia aos planos de reocupar completamente Gaza.
A pressão internacional é cada vez maior diante do sofrimento dos mais de dois milhões de habitantes palestinos de Gaza, após a ONU alertar para uma "fome generalizada" no território sitiado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que pelo menos 99 pessoas morreram devido à desnutrição em Gaza até agora este ano, embora este número provavelmente esteja subestimado.
P.Sousa--PC