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Putin e Trump discutirão soluções para o conflito na Ucrânia em reunião no Alasca
O presidente russo, Vladimir Putin, e seu homólogo americano, Donald Trump, discutirão "principalmente" como resolver o conflito armado na Ucrânia em uma conversa "cara a cara" durante a reunião de cúpula histórica na sexta-feira (15), no Alasca, informou o Kremlin.
O encontro acontecerá sem a presença do presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, que se encontrou com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, nesta quinta-feira (14) em Londres.
A reunião entre Putin e Trump é considerada decisiva para tentar acabar com o pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Nenhum líder europeu, no entanto, foi convidado a participar.
A reunião começará com um encontro "cara a cara" entre Putin e Trump na presença de intérpretes, e as negociações entre as delegações continuarão durante o almoço, na presença de um grupo de especialistas, explicou o conselheiro diplomático de Putin, Yuri Ushakov.
"A agenda se concentrará principalmente na resolução da crise ucraniana", acrescentou Ushakov, que também mencionou os temas "paz" e "segurança", "questões internacionais importantes" e "cooperação bilateral".
As negociações começarão às 11h30 (16h30 no horário de Brasília) e os dois líderes concederão uma entrevista coletiva conjunta na base aérea de Elmendorf, em Anchorage, Alasca.
A última coletiva de imprensa conjunta de Putin e Trump aconteceu em 2018, quando eles se encontraram em Helsinque.
- Europa espera uma trégua -
Zelensky e seus aliados europeus, que temem a adoção de decisões prejudiciais a Kiev durante a cúpula, intensificaram a pressão diplomática nos últimos dias.
Nesta quinta-feira, Starmer recebeu calorosamente o líder ucraniano em Downing Street com um abraço e um aperto de mão. Nenhum dos dois fez declarações ao final da reunião.
Trump afirmou na quarta-feira que teve uma "conversa muito boa" com o presidente ucraniano e os líderes de países europeus, da UE e da Otan. Zelensky viajou a Berlim para acompanhar as reuniões virtuais, onde foi recebido pelo chanceler alemão, Friedrich Merz.
"Esperamos que o tema central da reunião" de sexta-feira seja "um cessar-fogo imediato", declarou Zelensky na ocasião. Starmer, por sua vez, mencionou uma oportunidade "real" para uma trégua.
Segundo o presidente finlandês, Alexander Stubb, presente na reunião, "não haverá discussões sobre os territórios" durante a cúpula de Anchorage. Ele acrescentou que Trump "não buscará chegar a um acordo no Alasca".
O presidente americano afirmou que quer "sondar o terreno" no Alasca com Putin. Segundo ele, há dois resultados possíveis.
Se a reunião correr bem, levará, segundo Trump, "quase imediatamente" a um encontro entre Zelensky, Putin e o próprio presidente americano, com o objetivo de encerrar o conflito iniciado em fevereiro de 2022 com a ofensiva russa.
Contudo, se o seu primeiro encontro com o líder russo desde 2019 não apresentar um bom resultado, Trump garantiu que não haverá uma "segunda reunião".
- Putin elogia os esforços "sinceros" -
Irritado com as reportagens da imprensa que retrataram a cúpula como uma vitória diplomática para Vladimir Putin, o presidente americano também afirmou que a Rússia enfrentaria "consequências gravíssimas" se não concordasse em encerrar os combates, sem especificar quais seriam os impactos da ameaça.
O presidente russo elogiou os "esforços enérgicos e sinceros para encerrar as hostilidades, sair da crise e alcançar acordos que satisfaçam todas as partes envolvidas", durante uma reunião sobre os preparativos para a cúpula, segundo o Kremlin.
A pressão sobre as tropas de Kiev, em menor número, está aumentando. Nos últimos dias, elas enfrentaram um rápido avanço do Exército russo na frente de batalha na região leste de Donetsk, onde o Exército do Kremlin reivindicou a captura de dois novos vilarejos nesta quinta-feira.
Dezenas de drones disparados pela Ucrânia durante a noite de quarta-feira causaram um incêndio em uma refinaria e deixaram três feridos perto da cidade de Volgogrado, no sul da Rússia, segundo autoridades locais.
As posições oficiais dos dois lados no conflito são irreconciliáveis.
A Rússia exige que a Ucrânia ceda quatro regiões parcialmente ocupadas (Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson), além da Crimeia, anexada em 2014, e que renuncie ao fornecimento de armas ocidentais e ao projeto de adesão à Otan.
Para Kiev, as exigências são inaceitáveis.
Durante três rodadas de negociações realizadas nesta primavera e verão (hemisfério norte), a última em Istambul, em julho, russos e ucranianos só conseguiram chegar a um acordo sobre a troca de prisioneiros de guerra.
Nesse contexto, Kiev e Moscou anunciaram nesta quinta-feira a troca de 84 prisioneiros de cada lado.
E.Raimundo--PC