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Zelensky insta UE a usar ativos russos congelados para empréstimo à Ucrânia
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, instou nesta quinta-feira (23) os dirigentes da União Europeia reunidos em uma cúpula em Bruxelas a aprovarem um plano para utilizar os ativos russos congelados para conceder um enorme empréstimo ao seu país.
Zelensky celebrou nesta quinta-feira a decisão dos Estados Unidos e da UE de imporem sanções ao setor petroleiro da Rússia e afirmou que é uma mensagem "forte" para pressionar o presidente Vladimir Putin para que ponha fim à guerra.
Essa é a medida de pressão mais direta imposta pelo presidente americano, Donald Trump, para pressionar a Rússia desde seu retorno à Casa Branca, anunciada depois do fracasso dos planos para realizar uma nova cúpula com Putin na Hungria.
Agora, o próximo objetivo do mandatário ucraniano é que os dirigentes europeus cheguem a um acordo para conceder um empréstimo de 140 bilhões de euros (875 bilhões de reais) para seu país utilizando os ativos do Banco Central da Rússia congelados na UE.
Zelensky declarou à margem da cúpula que espera "uma decisão política" que seja positiva para ajudar seu país e que seja como "empréstimo de reparação".
"A Rússia trouxe a guerra ao nosso país e tem que pagar por essa guerra", afirmou o ucraniano.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, se declarou otimista em sua chegada à cúpula e afirmou que espera que se consiga "uma decisão política que garanta as necessidades financeiras da Ucrânia para 2026 e 2027".
Para o bloco dos 27, deve-se superar a reticência da Bélgica, onde está a maioria dos ativos russos congelados.
O primeiro-ministro belga, Bart De Wever, ameaçou bloquear o processo se os riscos não forem compartilhados.
"As consequências não podem recair apenas na Bélgica", se a Rússia for aos tribunais.
- Putin descarta impacto significativo das sanções -
As sanções dos EUA incluem o congelamento de todos os ativos das petroleiras russas Rosneft e Lukoil nos Estados Unidos, assim como a proibição de todas as empresas de fazer negócios com essas duas gigantes petroleiras russas.
As penalidades fizeram os preços do petróleo dispararem mais de 5% nesta quinta-feira, alimentando temores de tensões no fornecimento do ouro negro.
Os esforços de Trump para pôr fim ao conflito não deram resultados e a Rússia continua bombardeando a Ucrânia. Pelo menos três pessoas morreram nesta quinta-feira em ataques russos na Ucrânia, dois deles jornalistas, disseram as autoridades e o meio local Freedom TV.
Putin descartou que as sanções anunciadas tenham um impacto significativo na economia russa.
"Vão ter consequências, mas não um impacto significativo em nosso bem-estar econômico", afirmou o mandatário.
A porta-voz do Ministério russo das Relações Exteriores, Maria Zakharova, declarou que a imposição de sanções é um passo "contraproducente", mas afirmou que seu país "desenvolveu uma forte imunidade contra as restrições ocidentais.
A China declarou que "se opõe" às sanções americanas.
- Frota fantasma -
Além disso, Putin afirmou que vai continuar com o "diálogo", mesmo com Trump anunciando um adiamento da reunião prevista entre ambos na Hungria para encerrar o conflito.
No entanto, o líder russo ameaçou com uma resposta contundente, caso o território russo seja atacado com mísseis americanos Tomahawk, um tipo de armamento que a Ucrânia pede a Washington.
"Se esse tipo de arma for utilizada para atacar território russo, nossa resposta será contundente, para não dizer surpreendente", alertou Putin.
O pacote de sanções da UE inclui a proibição total da importação de gás natural da Rússia até 2026 e medidas adicionais contra a denonimada frota fantasma de petroleiros que supostamente Moscou utiliza para driblar as sanções dos países ocidentais.
O comércio de petróleo atribuído a essa frota fantasma representa "mais de 30 bilhões de euros" (35 bilhões de dólares ou 188 bilhões de reais) para o orçamento e as finanças da Rússia, "entre 30% e 40% de seu esforço de guerra" contra a Ucrânia, denunciou o presidente francês, Emmanuel Macron.
A maior pressão coletiva sobre Moscou poderia "mudar os cálculos de Putin" e "levá-lo à mesa de negociações" com vistas a um cessar-fogo, estimou o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.
"Estou absolutamente convencido disso, talvez não hoje ou amanhã, mas conseguiremos", afirmou durante sua visita à Casa Branca.
V.F.Barreira--PC