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Milhares marcham na Argentina por direitos LGBTQ e contra políticas de Milei
Dezenas de milhares de pessoas participaram, neste sábado (1º), em Buenos Aires, da 34ª Marcha do Orgulho argentina, que percorreu o centro da cidade com palavras de ordem em defesa dos direitos LGBTQ+ e críticas ao governo de Javier Milei.
A mobilização, convocada por organizações de direitos humanos e coletivos LGBTQ+, foi realizada sob o lema "Frente ao ódio e à violência: mais orgulho e unidade". O desfile partiu da Praça de Maio, em frente à Casa de Governo, e culminou em frente ao Congresso Nacional, com discursos e shows.
"Hoje em dia, com o governo atual, há muito ódio. Isso é visível nas ruas e nas redes sociais. Por isso, estar aqui defendendo nossos direitos e quem somos é muito bom", disse à AFP Nahuel Vassallo, estudante universitário de 22 anos.
Desde sua posse em dezembro de 2023, o presidente Milei eliminou o Ministério das Mulheres, Gênero e Diversidade, dissolveu o Instituto Nacional contra a Discriminação e suprimiu 13 programas contra a violência de gênero do Ministério da Justiça, entre outros cortes.
"Esse desmantelamento ocorre em um contexto de intensificação de discursos que incitam ao ódio e à violência. Inclusive por parte das mais altas autoridades do país", afirmou à AFP María Paula García, coordenadora de Igualdade e Diversidade da Anistia Internacional na Argentina.
Em janeiro, em um discurso no Fórum Econômico de Davos, Milei afirmou que o "feminismo radical" busca "privilégios" e criticou o conceito de "feminicídio" e o que chama de "ideologia de gênero", cujas "versões mais extremas" constituem "abuso infantil". Dias depois, milhares de pessoas na Argentina se manifestaram em repúdio.
Os crimes de ódio contra lésbicas, gays, bissexuais e pessoas trans aumentaram na Argentina em 70% na primeira metade de 2025 em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo o Observatório Nacional de Crimes de Ódio LGBT+.
A mobilização incluiu dezenas de carros alegóricos de organizações sociais e políticas, repletos de ativistas que dançavam e cantavam.
Entre a multidão, misturavam-se famílias, ativistas, estudantes e turistas estrangeiros que se juntaram à celebração, em um dia de música, dança e apresentações de artistas locais.
A.S.Diogo--PC