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Paramilitares anunciam que aceitam proposta de trégua humanitária no Sudão
As Forças de Apoio Rápido (FAR), um grupo paramilitar sudanês que está em guerra há mais de dois anos com o exército regular do país, anunciaram, nesta quinta-feira (6), que aceitaram uma proposta de trégua humanitária apresentada pelos mediadores.
"Em resposta às aspirações e interesses do povo sudanês, as Forças de Apoio Rápido confirmam seu acordo para entrar na trégua humanitária proposta pelos países do Quad", afirmaram as FAR em um comunicado, referindo-se ao grupo formado por Estados Unidos, Egito, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.
"As FAR esperam (...) iniciar conversas sobre os acordos para o cessar das hostilidades", afirmou o comunicado publicado em seu canal do Telegram, no qual elogiam os esforços dos mediadores.
A administração pró-exército, com sede em Porto Sudão, não reagiu imediatamente ao anúncio.
Os Estados Unidos instaram as duas partes a alcançar uma trégua humanitária "dada a urgência imediata de reduzir a violência e pôr fim ao sofrimento do povo sudanês", declarou um porta-voz do Departamento de Estado.
Anteriormente, o chefe do Exército sudanês, Abdel Fatah Al Burhan, declarou que suas forças continuavam "derrotando o inimigo e garantindo a segurança do Estado sudanês até suas fronteiras".
O governo afirmou na terça-feira que tinha a intenção de continuar a guerra, após uma reunião sobre a proposta impulsionada por Washington.
Um alto funcionário saudita declarou nesta quinta-feira à AFP que o plano dos mediadores contempla uma "trégua humanitária de três meses em todo o Sudão".
Durante o cessar-fogo, serão feitos esforços para reunir as FAR e o exército a fim de negociar um acordo de paz permanente, acrescentou, sem oferecer mais detalhes.
O conflito entre o exército e os paramilitares, que estourou em 2023, deixou dezenas de milhares de mortos e cerca de 12 milhões de deslocados, segundo a ONU.
Novas imagens de satélites analisadas pela Universidade de Yale detectaram atividade "compatível com valas comuns" na cidade sudanesa de El Fasher, tomada pelos paramilitares, mais de uma semana após denúncias de massacres na região.
O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas anunciou que na próxima semana realizará uma sessão urgente sobre a situação em El Fasher.
Desde a tomada desta cidade de Darfur, uma região do oeste do Sudão, a ONU informou sobre massacres, estupros, saques e deslocamentos massivos da população.
L.E.Campos--PC