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Capacetes azuis acusam Israel de construir muros em território libanês
Os capacetes azuis da ONU acusaram o exército israelense, nesta sexta-feira (14), de ter construído muros no território libanês, o que Israel negou, embora tenha admitido que ergueu uma barreira reforçada ao longo da fronteira.
A Força Interina das Nações Unidas no Líbano (Unifil) detalhou, em um comunicado, ter descoberto em outubro "um muro de cimento construído pelas Forças de Defesa israelenses no sudoeste de Yaroun".
"A investigação confirmou que o muro atravessava a Linha azul", que marca a fronteira entre os dois países, "fazendo com que mais de 4.000 metros quadrados de território libanês não sejam acessíveis" para os habitantes, acrescentou em um comunicado.
Os capacetes azuis explicaram que descobriram este mês "um muro de cimento adicional na região", que "também atravessa a Linha azul".
Consultado pela AFP, o exército israelense desmentiu. "Esse muro faz parte de um plano mais amplo [do exército], cuja construção começou em 2022" e que "não atravessa a Linha azul" traçada pela ONU, ressaltou um porta-voz.
Desde o início da guerra desencadeada pelo ataque surpresa do movimento islamista palestino Hamas no sul de Israel em 7 de outubro de 2023, o exército israelense "aplicou uma série de medidas, especialmente o reforço da barreira física ao longo da fronteira norte", acrescentou o porta-voz.
Para a Unifil, "a presença e a construção israelenses no território libanês são violações da resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU e da soberania e da integridade territorial do Líbano". A força da ONU pediu ao exército israelense para "respeitar a Linha azul (...) e se retirar de todas as zonas situadas ao norte da mesma".
Em 2012, Israel iniciou a construção de um muro nos trechos de sua fronteira com o Líbano, seguindo o traçado da "Linha azul" definido no ano 2000 pela ONU como a linha de armistício entre os dois países, após a retirada do exército israelense.
Cerca de 10.800 capacetes azuis se interpõem entre Israel e o Líbano desde março de 1978, mas o mandato da Unifil vai expirar em dezembro de 2026, pois Israel e Estados Unidos não quiseram prorrogá-lo para além dessa data.
A.Motta--PC