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RD Congo e M23 assinam roteiro prévio a eventual acordo de paz
O governo congolês e o grupo armado M23, apoiado por Ruanda, assinaram neste sábado (15), no Catar, um roteiro prévio a um eventual acordo de paz no leste da República Democrática do Congo.
Catar, Estados Unidos e a União Africana têm negociado há meses para pôr fim ao conflito, que afeta uma região rica em recursos naturais, onde o M23 tomou as grandes cidades de Goma, em janeiro, e Bukavu, em fevereiro.
O M23, que nunca reconheceu seus vínculos com Ruanda, insiste em que deseja derrubar o governo do presidente congolês, Félix Tshisekedi, e manter o controle das áreas sob seu domínio.
Em julho, a República Democrática do Congo e o M23 assinaram uma declaração de princípios a favor de um "cessar-fogo permanente", que não pôs fim aos combates, embora a frente tenha se mantido relativamente estável desde março.
Neste sábado, os beligerantes assinaram um novo pacto, o Quadro de Doha para um acordo de paz global, em uma cerimônia que contou com a presença de representantes de ambas as partes, bem como de mediadores americanos e cataris.
O acordo não inclui "nenhuma cláusula vinculante" e não modificará "a situação no terreno", afirmou Benjamin Mbonimpa, representante da delegação do M23 em Doha, em uma declaração transmitida à AFP.
O texto contém oito "protocolos" ou capítulos dedicados às "causas profundas do conflito" que serão negociados "antes de se chegar a um acordo de paz global", segundo a declaração.
República Democrática do Congo e Ruanda assinaram um acordo de paz no final de junho em Washington, mas, no início de novembro, reconheceram a falta de avanços em sua implementação.
Um dos pontos do acordo inclui o pedido de Ruanda para que o país vizinho neutralize as Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), um grupo armado fundado por antigos líderes hutus ruandeses responsáveis pelo genocídio dos tutsis em 1994, considerado uma "ameaça existencial" por Kigali.
J.Oliveira--PC