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Ucrânia negocia nos EUA sob forte pressão militar e política
As negociações entre a delegação ucraniana e altos funcionários americanos começaram na Flórida, neste domingo (30), para debater o plano do presidente Donald Trump para pôr fim à guerra com a Rússia, enquanto Kiev enfrenta uma intensa pressão militar e política.
Os negociadores ucranianos, liderados por Rustem Umerov, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, acompanhado do enviado especial Steve Witkoff e do genro de Trump, Jared Kushner, começaram a reunião por volta das 10h10 locais (12h10 de Brasília).
"Não se trata simplesmente de pôr fim à guerra (...) Trata-se de abrir um caminho para que a Ucrânia siga sendo soberana, independente e próspera", disse Rubio no início da reunião.
Umerov manifestou, por sua vez, seu desejo de debater a segurança e a reconstrução da Ucrânia.
Em uma mensagem na rede X, ele assinalou que a missão de sua delegação é "garantir os interesses da Ucrânia" e que "informará o presidente da Ucrânia", Volodimir Zelensky, ao final da reunião de hoje.
Os diálogos ocorrem em um contexto de tensão militar.
Enquanto o exército russo avança no leste da Ucrânia, um ataque com drones matou pelo menos uma pessoa e feriu outras 11 na noite de sábado perto de Kiev.
Estima-se que os diálogos se baseiem nas emendas ao plano abrangente de Trump, negociado há uma semana em Genebra entre americanos, ucranianos e europeus, disse Zelensky.
- "Fim da guerra com dignidade" -
Há dez dias, Washington apresentou um plano de 28 pontos para pôr fim ao conflito, desencadeado pela invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Acusado de estar fortemente enviesado a favor de Moscou, este plano foi modificado, embora Kiev tema ser obrigada a fazer concessões significativas.
"A parte americana é construtiva e nos próximos dias será possível especificar os passos a seguir para determinar como pôr fim à guerra com dignidade", reafirmou Zelensky no sábado.
Na segunda-feira, seu homólogo francês, Emmanuel Macron, vai recebê-lo novamente em Paris, poucos dias depois da destituição de seu influente braço direito, Andriy Yermak, em consequência de uma ampla investigação anticorrupção no setor energético.
No sábado, drones navais foram lançados contra um importante terminal de petróleo no porto russo de Novorossiysk.
Este terminal facilita a exportação de petróleo através de um dos maiores oleodutos do mundo, que se origina nas jazidas petrolíferas do Cazaquistão, às margens do mar Cáspio, e atravessa a Rússia até o mar Negro.
O Consórcio do Oleoduto do Cáspio, que opera essa instalação, declarou que um "ataque terrorista" com drones navais tinha inutilizado uma das três boias de amarração do terminal, usadas para o carregamento de petroleiros no mar.
- Petroleiros atacados -
Kiev não fez comentários sobre este ataque.
No entanto, reivindicou, no sábado, um ataque contra dois petroleiros no mar Negro, em frente à costa da Turquia, afirmando que tinha como alvo navios pertencentes à 'frota fantasma russa', usada por Moscou para evitar as sanções ocidentais.
Uma fonte do Serviço de Segurança Ucraniano (SBU) declarou à AFP que os petroleiros Kairos e Virat foram atacados por drones Sea Baby durante uma operação conjunta entre o SBU e a Marinha ucraniana.
Segundo este porta-voz, estavam vazios no momento do ataque e se dirigiam ao porto russo de Novorossiysk para reabastecer.
Nos últimos meses, o exército ucraniano atacou regularmente instalações petroleiras e refinarias na Rússia na tentativa de interromper a receita obtida com o petróleo, que permite a Moscou financiar seu esforço bélico.
A Rússia, por sua vez, tem continuado com seus ataques noturnos contra a Ucrânia.
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A.Magalhes--PC