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Ataques de guerrilha deixam ao menos 4 policiais mortos na Colômbia
Pelo menos quatro policiais morreram nesta terça-feira (16) em dois ataques guerrilheiros no sudoeste da Colômbia, onde rebeldes de diferentes grupos disputam o controle do narcotráfico rumo ao Pacífico, informaram as autoridades.
Em meio a negociações de paz frustradas com o governo do esquerdista Gustavo Petro, as organizações ilegais investem contra a força pública e os civis em uma ofensiva que constitui a pior onda de violência em uma década.
Na madrugada, um primeiro ataque em Cali, atribuído ao Exército de Libertação Nacional (ELN), deixou dois policiais mortos após a detonação de um explosivo enquanto patrulhavam em uma motocicleta, disse o general Henry Bello, comandante da polícia local.
Desde domingo, o ELN impõe uma "paralisação armada", como é conhecida a restrição de mobilidade contra a população civil.
Outros dois agentes morreram mais tarde em um município rural do departamento vizinho, Cauca, após sete horas de "hostilidade armada" com explosivos, granadas e rajadas de fuzis direcionadas a uma delegacia local, informou à tarde o governador Octavio Guzmán no X.
O ministro da Defesa Pedro Sánchez responsabilizou pelo segundo ataque dissidentes das antigas Forças Armadas Revolucinárias da Colômbia (Farc) sob o comando de Iván Mordisco, o guerrilheiro mais procurado do país.
"Ordenamos a mobilização de todas as capacidades da Força Pública para neutralizar os criminosos", declarou Sánchez.
Circularam nas redes sociais vídeos da área comercial do município reduzida a escombros, com mais de uma dezena de edifícios destruídos. Segundo o governador Guzmán, várias famílias tiveram que deixar suas casas e um hospital local foi "atacado".
- Paralisação armada -
O ELN ordenou uma "paralisação armada", segundo eles, para "defender" o país das "ameaças de intervenção" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Desde domingo, os rebeldes realizaram 82 ataques, indicaram os militares.
Os civis estão proibidos de se deslocar por rodovias e rios até quarta-feira em regiões nas quais o ELN exerce autoridade de facto.
Um motorista de ambulância também foi assassinado na fronteira com a Venezuela em meio ao confinamento imposto pela guerrilha, disse a polícia no domingo.
Petro ordenou naquele dia à força pública "atacar" a guerrilha e "defender o povo da Colômbia".
O grupo de origem guevarista tem presença em pelo menos 20% dos municípios da Colômbia, de acordo com o centro de estudos Insight Crime.
No acumulado deste ano, 146 soldados e policiais foram assassinados por grupos armados, segundo o Ministério da Defesa.
- Paz truncada -
Petro tentou negociar a paz com o ELN e com as fileiras de Mordisco após sua chegada ao poder em 2022, como parte de uma estratégia batizada de "paz total" para desmobilizar todos os grupos armados do país.
Mas, a oito meses de deixar a presidência, ambos os processos estão parados, sem avanços, enquanto a oposição denuncia o fortalecimento das organizações ilegais.
Em janeiro, o ELN assassinou mais de 100 pessoas em uma região fronteiriça com a Venezuela, o que sepultou as negociações com esse grupo.
A guerrilha, que se financia principalmente com o tráfico de drogas, considera que os Estados Unidos planejam operações militares na Colômbia como parte do que chamam de "plano neocolonial" de Trump.
O presidente americano disse recentemente não descartar ataques em solo colombiano para destruir laboratórios de cocaína. A Colômbia interpretou essas declarações como uma ameaça de invasão.
L.Mesquita--PC