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Venezuela diz que exportações de petróleo seguem normalmente após bloqueio de Trump
A Venezuela afirmou, nesta quarta-feira (17), que suas exportações de petróleo seguem "normalmente" após o anúncio do presidente americano, Donald Trump, de um bloqueio a todos os "petroleiros sancionados" que entram ou saem do país.
O governo da Venezuela, país que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, chamou a declaração de "irracional" e de "ameaça grotesca". A Força Armada venezuelana também condenou o anúncio.
Os Estados Unidos intensificaram sua campanha contra o presidente Nicolás Maduro, a quem qualificam como líder de um cartel do narcotráfico e cujo mandato não reconhecem.
Trump afirmou que o bloqueio será mantido até que a Venezuela devolva o petróleo que, em sua opinião, roubou dos Estados Unidos.
Maduro conversou por telefone, nesta quarta-feira, com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e denunciou que as declarações do republicano "devem ser rechaçadas categoricamente pelo sistema das Nações Unidas por constituírem uma ameaça direta à soberania, ao direito internacional e à paz".
Além disso, alertou Guterres "sobre a escalada de ameaças contra a Venezuela e suas graves implicações para a paz regional", segundo um comunicado da chancelaria venezuelana.
Um dos porta-vozes do secretário-geral da ONU disse nesta quarta que ele "está concentrado em evitar uma escalada maior" entre Estados Unidos e Venezuela, e apelou "à moderação e à distensão imediata da situação".
A estatal Petróleos da Venezuela (PDVSA) informou, por sua vez, "que as operações de exportação de petróleo bruto e derivados transcorrem com normalidade".
"Os navios petroleiros vinculados às operações da PDVSA continuam navegando com pleno asseguramento, apoio técnico e garantias operacionais", informou a companhia em um comunicado, sem afetar -- ressaltou -- sua "capacidade operacional".
- Sanções -
Washington apoia a campanha da Nobel da Paz, a opositora María Corina Machado, que denuncia fraude nas eleições de 2024, nas quais Maduro se reelegeu para um terceiro mandato.
Corina Machado chegou a Oslo em 11 de dezembro, um dia depois da cerimônia de entrega do Nobel, recebido por sua filha em seu nome. A líder opositora passou mais de um ano na clandestinidade na Venezuela.
Mas, nesta quarta-feira, ela deixou Oslo, segundo um colaborador próximo que não informou seu novo destino.
Trump impôs um embargo ao petróleo venezuelano em 2019, durante seu primeiro mandato, como parte de uma série de sanções que buscaram, sem sucesso, a queda de Maduro.
O Irã, aliado do presidente venezuelano junto com Rússia, China e Cuba, denunciou nesta quarta-feira o "assalto à mão armada no mar" de um petroleiro, apreendido por militares americanos em 10 de dezembro.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, também expressou o repúdio de Pequim "a todas as formas de assédio" à Venezuela, em uma conversa por telefone com seu homólogo venezuelano, Yvan Gil.
A Venezuela produz 1 milhão de barris diários (bd) e estima alcançar 1,2 milhão até o final do ano.
Os preços do petróleo registraram alta nesta quarta-feira, após o anúncio de Trump.
- 'Não nos intimidam' -
Por sua vez, o ministro da Defesa venezuelano, Vladimir Padrino, afirmou que a Venezuela não cairá "em provocações".
"Dizemos ao governo americano e ao seu presidente que suas ameaças grosseiras e arrogantes não nos intimidam", disse, acompanhado do alto comando militar.
Trump ordenou, em agosto, uma mobilização militar no Caribe e no Pacífico sob o argumento de combater o narcotráfico, embora Maduro insista em que o objetivo é derrubá-lo e se apropriar das riquezas venezuelanas.
Na semana passada, militares americanos apreenderam um navio-tanque alvo de sanções do Departamento do Tesouro americano, que havia zarpado da Venezuela carregado de petróleo.
Os Estados Unidos ficaram com a embarcação e a carga, estimada entre 1 e 2 milhões de barris de petróleo. O governo Maduro chamou a ação de "roubo descarado" e acusou Trinidad e Tobago de ajudar na apreensão.
- 'Salva-vidas' -
A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, pediu, mais cedo nesta quarta-feira, que a ONU assuma seu papel e "evite qualquer derramamento de sangue" na Venezuela.
Quanto às implicações para a economia venezuelana, no curto prazo um menor envio de petróleo "cortaria um salva-vidas crucial", indicou a consultoria Capital Economics.
"O impacto no médio prazo dependerá em grande medida de como evoluem as tensões com os Estados Unidos e de quais forem os objetivos do governo americano na Venezuela", advertiu a consultoria em um relatório publicado nesta quarta-feira.
E.Borba--PC