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UE aprova ajuda de € 90 bilhões à Ucrânia sem recorrer a ativos russos
Os líderes europeus anunciaram um acordo na madrugada desta sexta-feira (19) para um empréstimo de ajuda de 90 bilhões de euros (R$ 583 bilhões) à Ucrânia, sem recorrer aos ativos russos que estão congelados, diante da impossibilidade de alcançar consenso sobre a ideia.
O acordo, alcançado após mais de um dia de negociações em uma reunião de cúpula em Bruxelas, oferece a Kiev uma ajuda que o país necessitava com urgência, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressiona para obter o fim da guerra iniciada em 2022.
"Chegamos a um acordo. Aprovou-se a decisão de conceder uma ajuda de 90 bilhões de euros à Ucrânia para 2026-2027", escreveu o presidente do Conselho Europeu, António Costa, na rede social X.
A UE envia uma "mensagem clara" ao presidente russo, Vladimir Putin, "para acabar com a guerra", afirmou o chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, que era um fervoroso defensor da utilização dos ativos de Moscou.
"Trata-se de um apoio significativo que reforça verdadeiramente a nossa resiliência", reagiu o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, no X.
Em uma publicação no Telegram, o principal negociador para assuntos econômicos do Kremlin, Kirill Dmitriev, celebrou o fracasso da opção de "usar ilegitimamente ativos russos para financiar a Ucrânia", acrescentando que "a lei e o bom senso conseguiram uma vitória".
Os 27 Estados do bloco precisavam encontrar, de modo imprescindível, uma solução duradoura para financiar a Ucrânia, que enfrentava o risco de ficar sem dinheiro no primeiro trimestre do próximo ano.
Em outubro, a UE se comprometeu a garantir, nos próximos dois anos, a maior parte do apoio financeiro e militar a Kiev, depois que Donald Trump decidiu fechar a torneira da ajuda americana.
Sem um consenso sobre a utilização dos ativos do Banco Central russo, um mecanismo inédito e de alto risco, os europeus chegaram a acordo sobre um empréstimo comum.
"Nos comprometemos e cumprimos a nossa promessa", celebrou Costa, que dirigiu os trabalhos da reunião de cúpula.
"Garantir 90 bilhões de euros a outro país para os próximos dois anos, não acredito que já vimos isso alguma vez em nossa história", disse a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, cujo país ocupa a presidência do Conselho da UE até o final do ano.
- Conversar com Putin? -
"Agora voltará a ser útil falar com Vladimir Putin", destacou o presidente francês, Emmanuel Macron, após o anúncio.
As necessidades de financiamento de Kiev são calculadas em 137 bilhões de euros (887 bilhões de reais) e a UE assumiu o compromisso de assumir dois terços, ou seja, € 90 bilhões. O restante deve ser aportado por outros aliados da Ucrânia, como a Noruega ou o Canadá.
Os europeus concederão à Ucrânia um empréstimo sem juros, financiado pelo orçamento da UE, que Kiev só precisará reembolsar se a Rússia pagar uma indenização, explicou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
"Após longas discussões", está claro que o recurso aos ativos russos "exige mais trabalho", disse uma fonte do Executivo da UE que pediu anonimato.
O acordo permaneceu estagnado durante semanas devido à relutância da Bélgica, onde se encontra a maior parte dos ativos congelados, quase 210 bilhões de euros (1,36 trilhão de reais). A ideia era utilizá-los para financiar um "empréstimo de reparação" de 90 bilhões para a Ucrânia.
As muitas horas de negociações, primeiro entre diplomatas e depois entre os líderes europeus, não permitiram alcançar um consenso.
- "Todos estão aliviados" -
O primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, exigiu em outubro aos seus parceiros garantias quase ilimitadas para evitar o risco de reembolso antecipado ou de represálias russas.
"A decisão está tomada, todos estão aliviados", celebrou De Wever ao término da reunião na sexta-feira.
O acordo de empréstimo foi alcançado entre os 27 membros da UE, mas a operação será efetuada apenas por 24, já que Hungria, Eslováquia e República Tcheca, três países relutantes em apoiar financeiramente a Ucrânia, ficam isentos.
Zelensky havia solicitado uma decisão rápida sobre os ativos russos. Ele só foi parcialmente atendido após defender incansavelmente que Moscou pagasse. Ainda assim, a Ucrânia prossegue com a garantia de contar com os fundos necessários enquanto os combates prosseguem, apesar das intensas negociações em curso.
Trump voltou a mostrar impaciência na quinta-feira, ao exigir que a Ucrânia "atue rapidamente", antes que a Rússia "mude de opinião".
A.F.Rosado--PC