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Rússia nega preparação de reunião trilateral com Ucrânia e EUA
O Kremlin negou neste domingo(21) a preparação de uma reunião trilateral com Kiev e Washington, enquanto em Miami, seguem os diálogos sobre como pôr fim ao conflito na Ucrânia, que em breve entrará em seu quinto ano.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou no sábado que Washington havia proposto um encontro trilateral, no que seriam as primeiras negociações cara a cara entre Moscou e Kiev em meio ano.
"Por enquanto, ninguém falou seriamente sobre essa iniciativa e, que eu saiba, não está sendo organizada", disse à imprensa o assessor diplomático da Presidência russa, Yuri Ushakov, citado pelas agências de notícias russas.
Após revelar a proposta dos Estados Unidos, Zelensky disse aos jornalistas que não estava "seguro de que surgiria algo novo" dela e instou os Estados Unidos a aumentarem a pressão sobre a Rússia para pôr fim à guerra.
O líder ucraniano mostrou-se mais otimista neste domingo. Indicou que as conversas "construtivas" entre os negociadores americanos, europeus e ucranianos avançavam "a um ritmo bastante rápido", embora tenha reconhecido que "muito depende de se a Rússia sente a necessidade real de pôr fim à guerra".
"Infelizmente, os sinais que vêm da Rússia continuam negativos: ataques ao longo da frente, crimes de guerra russos nas zonas fronteiriças e ataques contínuos contra nossa infraestrutura", publicou Zelensky no X.
- Enviado russo no EUA -
O enviado russo Kirill Dmitriev chegou no sábado a Miami, onde delegações ucranianas e europeias estão reunidas desde sexta-feira para negociar sob a mediação do enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e do genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner.
Dmitriev “voltará a Moscou, apresentará seu relatório e discutiremos o que fazer a seguir”, afirmou o assessor do Kremlin.
Diante da imprensa, Ushakov também assegurou que “não viu” a nova proposta americana para pôr fim ao conflito, elaborada após um encontro entre Washington e os enviados ucranianos e europeus.
Os Estados Unidos apresentaram um plano para encerrar a guerra há mais de um mês. O texto inicial, considerado pela Ucrânia e seus aliados europeus como muito favorável às exigências do Kremlin, foi desde então revisado após consultas a Kiev.
Os detalhes da nova versão não são conhecidos. Segundo Zelensky, implica concessões territoriais por parte da Ucrânia em troca de garantias de segurança ocidentais.
- Ligação entre Putin e Macron? -
A última vez que os enviados ucranianos e russos mantiveram conversações diretas oficiais foi em julho, em Istambul.
A participação de russos e europeus nas conversações deste fim de semana na Flórida representa um passo à frente em relação à fase anterior, na qual os americanos mantiveram negociações separadas com cada parte em locais diferentes.
No entanto, as relações extremamente tensas entre ambas as partes lançaram dúvidas sobre as perspetivas de conversações diretas entre a Ucrânia e a Rússia. Moscou não vê com bons olhos a participação dos aliados europeus de Kiev, considerando-a um obstáculo à paz.
Ainda assim, segundo declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, em uma entrevista publicada neste domingo, Putin manifestou disposição para falar com o seu homólogo francês, Emmanuel Macron, sobre o conflito.
Macron falou várias vezes por telefone com Putin nos meses que antecederam o conflito e nos primeiros após a invasão, em uma tentativa de envolver o veterano líder do Kremlin.
Putin “manifestou a sua disposição para iniciar um diálogo com Macron”, declarou Peskov à agência estatal de notícias RIA Novosti. “Portanto, se existir vontade política mútua, isso só pode ser avaliado de forma positiva”, acrescentou.
O gabinete de Macron afirmou que a disposição para o diálogo manifestada por Putin é “bem-vinda”.
As tropas russas aceleraram suas conquistas este ano na frente ucraniana, onde controlam aproximadamente 19% do território.
“Na última semana, a Rússia lançou aproximadamente 1.300 drones de ataque, quase 1.200 bombas aéreas guiadas e 9 mísseis de diversos tipos contra a Ucrânia”, escreveu Zelensky no X. A região de Odessa e o sul do país foram “os mais afetados”, acrescentou.
Putin ordenou uma invasão da Ucrânia em grande escala em fevereiro de 2022, descrevendo-a como uma “operação militar especial” para desmilitarizar o país e evitar a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Kiev e seus aliados europeus afirmam que a invasão, a maior e mais mortal em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial, constitui uma apropriação ilegal de território sem provocação prévia.
A.Motta--PC