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Bulgária adota o euro com temor à inflação
A Bulgária adotou o euro nesta quinta-feira (1º, data local) e tornou-se assim o 21º país a aderir à moeda única europeia, uma integração que alguns temem que alimente a inflação e acentue a instabilidade política.
À meia-noite (19h desta quarta-feira, 31, em Brasília), o pequeno Estado balcânico de 6,4 milhões de habitantes aposentou sua moeda, o lev, em circulação desde o fim do século XIX.
Milhares de pessoas desafiaram as temperaturas negativas para comparecerem ao tradicional concerto de Ano Novo, organizado pela Prefeitura de Sófia em frente ao antigo Palácio Real.
Na fachada da sede do Banco Nacional da Bulgária, situada na mesma praça, foram projetadas moedas de euro búlgaras após a chegada de 2026.
"A introdução do euro é o último passo para a integração da Bulgária na União Europeia", declarou o presidente Rumen Radev em seu discurso televisionado poucos minutos antes da meia-noite, lamentando, no entanto, que os búlgaros não foram consultados mediante referendo sobre essa decisão, que dividiu o país.
Antes da mudança, a maioria das bancas do "Mercado das Mulheres", o maior e mais antigo da capital, Sófia, apresentavam os preços em lev e em euros.
"Toda a Europa se adequou ao euro. Nós também vamos conseguir", comentou Vlad, um aposentado de 66 anos. "O importante é que a Bulgária continue na Europa e se afaste de Moscou", acrescentou.
Muitos búlgaros temem que a introdução do euro leve a uma espiral inflacionária. Os produtos alimentares já ficaram 5% mais caros no acumulado de 12 meses em novembro, segundo o Instituto Nacional de Estatística.
As autoridades búlgaras tentam tranquilizar a população e prometem que a entrada na zona do euro permitirá dinamizar a economia do país, um dos mais pobres da União Europeia, da qual passou a fazer parte em 2007, e o protegerá da influência russa.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu que "o euro trará benefícios concretos aos cidadãos e às empresas búlgaras".
Paralelamente, a Bulgária enfrenta importantes desafios após as manifestações anticorrupção que recentemente derrubaram o governo de coalizão conservador, no poder há menos de um ano, e perante a perspectiva de novas eleições legislativas, as oitavas em cinco anos.
b/oaa/de/mab/dbh/hgs/atm/yr/rpr
H.Portela--PC