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Prefeito de Nova York promete sucesso à esquerda após tomar posse
O democrata Zohran Mamdani prometeu, nesta quinta-feira (1º), mostrar que a esquerda é capaz de governar, no primeiro dia de seu mandato como prefeito de Nova York, que certamente o colocará em rota de colisão com o presidente republicano Donald Trump.
Milhares de pessoas desafiaram o frio na maior cidade dos Estados Unidos para comemorar a posse deste democrata de 34 anos, um virtual desconhecido há cerca de um ano.
"Muitos vão estar observando. Querem saber se a esquerda pode governar. Querem saber se os problemas que os afligem podem ser resolvidos", disse Mamdani na parte externa da Prefeitura.
"Faremos algo que os nova-iorquinos fazem melhor do que qualquer outra pessoa: seremos um exemplo para o mundo", acrescentou.
Em seu discurso, o primeiro prefeito muçulmano de Nova York também pôs ênfase no custo de vida, um dos temas principais de sua campanha, ao prometer ajudar os que foram "traídos pela ordem estabelecida".
Aliados de esquerda, como o senador Bernie Sanders e a congressista Alexandria Ocasio-Cortez, também fizeram discursos para os cerca de 4.000 convidados.
No centro de Manhattan, milhares de pessoas se aglomeraram, muitas usando gorros amarelos e azuis com a inscrição "Zohran", para assistir à cerimônia de posse em telões.
"Esta é a primeira vez nas nossas vidas, para ambos, que sentimos um lampejo de esperança política", disse Jacob Byerly, um cientista de 31 anos, que estava acompanhado da esposa, Auburn, uma arquiteta de 34.
- Agenda ambiciosa -
Ainda está em aberto se Mamdani, que se autodenomina como um socialista democrático, conseguirá cumprir sua agenda ambiciosa, que prevê o congelamento dos preços dos aluguéis, o acesso universal a creches e ônibus gratuitos.
Assim que as eleições terminaram, "o simbolismo tem alcance limitado junto aos eleitores. Os resultados começam a importar muito mais como um todo", disse John Kane, palestrante da Universidade de Nova York.
Como Trump vai reagir pode ser decisivo.
O republicano, que é nova-iorquino, fez críticas reiteradas a Mamdani, mas os dois tiveram uma reunião surpreendentemente cordial na Casa Branca em novembro.
Mas um ponto crucial podem ser as operações de combate à imigração irregular ordenadas por Trump, que vem expandindo a repressão aos imigrantes em todos os Estados Unidos.
Mamdani prometeu proteger as comunidades de imigrantes.
Antes das eleições de novembro, o presidente também ameaçou cortar o financiamento federal para Nova York em caso de eleição de Mamdani, a quem ele chamou de "lunático comunista".
O prefeito, por sua vez, disse acreditar que Trump é fascista.
- Posse simbólica -
A cerimônia de posse de Mamdani esteve repleta de simbolismo.
A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, que condenou Trump por fraude em 2024, conduziu a cerimônia privada em uma estação desativada do metrô.
O gabinete de Mamdani afirmou que o local discreto, situado abaixo da Prefeitura, refletia o seu compromisso com os trabalhadores.
Além disso, em um fato inédito para a cidade, Mamdani usou exemplares do Corão para prestar seu juramento: dois de sua família e um que pertenceu ao escritor negro porto-riquenho Arturo Schomburg, noticiou o jornal The New York Times.
Com o novo cargo, Mamdani vai mudar de endereço, trocando seu apartamento alugado no Queens pela Mansão Gracie, a luxuosa residência do prefeito em Upper East Side, em Manhattan.
Alguns chegaram a especular se ele se mudaria para a residência oficial, devido a uma campanha voltada para questões de acessibilidade financeira. Mamdani disse que o faria sobretudo devido a questões de segurança.
Nascido em Uganda em uma família de origem indiana, Mamdani se mudou para Nova York aos sete anos e teve uma educação de elite, com apenas uma breve passagem pela política.
Para compensar sua falta de experiência, ele se cerca de assessores de prefeitos anteriores e do governo do ex-presidente Joe Biden.
Mamdani também abriu diálogo com líderes empresariais, alguns dos quais previram um êxodo maciço de nova-iorquinos ricos caso ele vencesse as eleições.
Defensor da causa palestina e muito crítico de Israel, Mamdani precisará tranquilizar a comunidade judaica em relação à sua liderança inclusiva. Recentemente, uma colaboradora renunciou a acompanhá-lo na Prefeitura após virem à tona tuítes antissemitas que ela havia publicado anos atrás.
F.Carias--PC