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Trump ameaça Irã caso o país mate manifestantes em protestos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou o Irã nesta sexta-feira (2) com uma resposta em caso de morte de manifestantes do movimento de protesto em curso no país islâmico, cujos líderes alertaram que uma intervenção desestabilizaria a região.
O Irã é cenário de grandes manifestações desde domingo, desencadeadas pelo alto custo de vida. Os protestos começaram com o fechamento de estabelecimentos comerciais em Teerã, a capital, mas se espalharam para outros grupos e regiões do país.
Pelo menos seis pessoas, incluindo um membro das forças de segurança, morreram na quinta-feira (1) durante os protestos no oeste do Irã, segundo a imprensa local. Esses foram os primeiros confrontos fatais desde o início das manifestações.
"Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, como é seu costume, os Estados Unidos virão em seu auxílio", escreveu Trump nesta sexta-feira em sua plataforma Truth Social. "Estamos preparados e prontos para agir", enfatizou.
As declarações do presidente republicano provocaram uma reação imediata de dois assessores do líder supremo do Irã, Ali Khamenei.
"A segurança do Irã é uma linha vermelha", enfatizou Ali Shamkhani nas redes sociais. "Qualquer intervenção que ameace a segurança do Irã, sob qualquer pretexto, enfrentará uma resposta firme", ressaltou.
Outro assessor, Ali Larijani, acrescentou na mesma plataforma que "Trump deveria saber que qualquer interferência americana neste assunto interno desestabilizaria toda a região e prejudicaria os interesses americanos".
Nos últimos dias, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, classificou os protestos como "legítimos" e instruiu seus funcionários a atenderem às reivindicações dos manifestantes.
"De uma perspectiva islâmica (...), se não resolvermos o problema da subsistência das pessoas, acabaremos no inferno", declarou ele em um pronunciamento na televisão.
Alguns funcionários, no entanto, alertaram que responderiam com firmeza a qualquer instabilidade.
- Hiperinflação -
A República Islâmica sofre há anos com aumentos desenfreados nos preços de produtos básicos e com a desvalorização crônica de sua moeda.
No último ano, o rial perdeu mais de um terço de seu valor em relação ao dólar, enquanto a hiperinflação de dois dígitos vem corroendo o poder de compra dos cidadãos há anos, em um país sufocado por sanções internacionais.
O movimento de protesto surge em um momento de fragilidade do Irã após os duros golpes sofridos por seus aliados regionais em Gaza, Líbano e Síria.
Ocorre também após a ONU ter restabelecido, em setembro, as sanções contra o programa nuclear iraniano.
A questão tem envenenado as relações entre Teerã e as potências ocidentais há anos. Estados Unidos e Israel suspeitam que o governo iraniano busca desenvolver uma bomba atômica, algo que a República Islâmica sempre negou.
Em abril, o Irã e os Estados Unidos iniciaram negociações, mediadas por Omã, sobre o programa nuclear.
Os esforços, no entanto, se estagnaram em junho, quando Washington bombardeou a instalação subterrânea de enriquecimento de urânio em Fordo, ao sul de Teerã, assim como as instalações nucleares em Isfahan e Natanz, no centro do país.
O presidente dos Estados Unidos prometeu na segunda-feira "erradicar" qualquer tentativa de Teerã de reconstruir seu programa nuclear ou seu arsenal de mísseis balísticos.
O movimento de protesto se espalhou por cerca de 15 cidades, principalmente no oeste do país, segundo uma contagem da AFP baseada em anúncios oficiais e reportagens da imprensa local.
As manifestações, por enquanto, são menores do que as que abalaram o país no final de 2022, após a morte sob custódia de Mahsa Amini. A jovem foi acusada de violar o rígido código de vestimenta para mulheres no Irã e sua morte provocou uma onda de indignação que deixou centenas de mortos.
O Irã também vivenciou uma onda de protestos em 2019, desencadeada pelo aumento dos preços dos combustíveis.
P.Mira--PC