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Premiê da Groenlândia pede calma ante ameaças de Trump e incursão na Venezuela
O primeiro-ministro da Groenlândia pediu nesta segunda-feira (5) que não se ceda ao "pânico" depois que Donald Trump reafirmou sua intenção de controlar esse território autônomo dinamarquês e disse que a ilha do Ártico "não é comparável à Venezuela", após os temores gerados pela incursão militar americana no país caribenho.
A operação na qual Washington capturou o mandatário venezuelano Nicolás Maduro em Caracas na madrugada de sábado reacendeu a preocupação em relação à Groenlândia, que dispõe de uma localização estratégica e importantes recursos minerais, como as terras raras, ainda não explorados.
"A situação não é tal que os Estados Unidos possam conquistar a Groenlândia. Não é o caso. Portanto, não devemos entrar em pânico [...] Devemos tentar restabelecer o contato", assegurou o primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen durante uma coletiva de imprensa em Nuuk, a capital do território autônomo.
No entanto, ressaltou que a partir de agora o seu governo "endurecerá o tom", já que seus responsáveis não estão "satisfeitos com a situação na qual nos encontramos".
"Já chega de uma comunicação feita através da mídia e por vias indiretas", alfinetou.
Quando a revista americana The Atlantic perguntou a Trump sobre as implicações para a Groenlândia da incursão e bombardeios em Caracas e arredores, ele respondeu que cabia a seus parceiros avaliá-las: "Terão que formar sua própria opinião."
Para Nielsen, contudo, "a situação é muito diferente".
"Nosso país não é comparável à Venezuela. Somos um país democrático. Temos sido assim há bastante tempo", apontou.
- Ilha estratégica -
"Precisamos da Groenlândia para garantir a segurança nacional e a Dinamarca não é capaz de fazer isso", reiterou Trump no domingo a jornalistas a bordo do avião presidencial Air Force One quando questionado sobre o assunto.
"Vamos nos preocupar com a Groenlândia daqui a uns dois meses [...] Vamos falar sobre a Groenlândia em 20 dias", acrescentou o presidente americano.
Por sua vez, a primeira-ministra da Dinamarca Mette Frederiksen disse à emissora TV2 que, "se os Estados Unidos decidirem atacar militarmente outro país da Otan, então tudo para. Inclusive a nossa Otan e a segurança implementada desde o fim da Segunda Guerra Mundial".
A chefe de governo, que considera que a situação é "séria", assegurou que está fazendo "tudo o que é possível" para evitar que isso aconteça.
Para a deputada Aaja Chemnitz, que representa a Groenlândia no Parlamento dinamarquês, é preciso "estar preparado para todos os cenários".
No mês passado, o presidente americano tinha se queixado sobre a presença de embarcações russas e chinesas "por todas as partes" em frente à costa da ilha do Ártico, de 57 mil habitantes.
Nesta segunda, o Ministério das Relações Exteriores chinês instou os Estados Unidos a "pararem de usar a chamada ameaça chinesa como desculpa para buscar benefícios pessoais".
Nesta segunda, vários líderes europeus declararam apoio às declarações da Dinamarca e da Groenlândia.
Anitta Hipper, porta-voz da diplomacia europeia, afirmou que a União Europeia espera que seus aliados respeitem a integridade territorial dos Estados-membros.
- 'Ninguém vai lutar!' -
No sábado, em uma publicação no X, a ex-assessora de Trump Katie Miller, esposa do chefe de gabinete adjunto da Casa Branca, Stephen Miller, reacendeu os temores de anexação ao publicar um mapa da Groenlândia com as cores da bandeira americana, acompanhado da palavra "SOON" ("Em breve", em tradução livre do inglês).
O primeiro-ministro Nielsen classificou essa publicação de "desrespeitosa".
Quando a CNN perguntou a Stephen Miller nesta segunda se os Estados Unidos descartariam uma intervenção militar na Groenlândia, ele questionou qual é a "base" para "a Dinamarca ter a Groenlândia como colônia".
"Os Estados Unidos deveriam ter a Groenlândia [...] Nem sequer é preciso pensar ou falar disso no contexto que você apresenta, o de uma operação militar", afirmou Miller na entrevista. "Ninguém vai lutar militarmente contra os Estados Unidos pelo futuro da Groenlândia!", frisou.
A Dinamarca é um aliado histórico e tradicional de Washington, de quem compra a maior parte de seu armamento. O reino escandinavo integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) desde a criação desta aliança.
"Temos a Otan e penso que fará o que for preciso aqui [na Dinamarca]. Isso espero!", disse à AFP Marianne Larsen, uma aposentada dinamarquesa.
Em janeiro de 2025, 85% dos groenlandeses se disseram contrários a que seu território seja anexado pelos Estados Unidos, segundo uma pesquisa divulgada pela imprensa local. Apenas 6% se disseram favoráveis à anexação.
burs-cbw/mas-rnr-meb-arm/cr/aa-jc/mvv/am/rpr
E.Paulino--PC