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Trump diz que 'sua moral' é o único limite para ações dos EUA no exterior
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que apenas a "sua moral" constitui um limite para a política externa de seu governo e assegurou que "não precisa" do direito internacional.
Essas foram as palavras de Trump em uma entrevista ao New York Times publicada nesta quinta-feira (8), concedida menos de uma semana depois da operação americana na Venezuela para a captura do presidente deposto desse país, Nicolás Maduro, e em meio às preocupações europeias pelo crescente interesse dos Estados Unidos pela Groenlândia.
Perguntado na noite de quarta-feira sobre se existe um limite às ações dos Estados Unidos no exterior, Trump respondeu: "Sim, há uma coisa. Minha própria moral. Minha própria mente. É a única coisa que pode me parar."
"Eu não preciso do direito internacional", acrescentou. "Não tenho a intenção de machucar ninguém."
Quando a equipe do NYT lhe perguntou se acreditava que os Estados Unidos devem respeitar o direito internacional, respondeu que "sim", mas que "depende de qual é a sua definição de direito internacional".
Os Estados Unidos não fazem parte do Tribunal Penal Internacional (TPI), que julga os crimes de guerra, e, em várias ocasiões, rejeitou decisões da Corte Internacional de Justiça (CIJ), o principal órgão judicial das Nações Unidas.
Embora declare a si mesmo como "o presidente da paz", Trump ordenou várias operações militares em outros países no primeiro ano de seu segundo mandato. Em junho, ordenou ataques ao programa nuclear do Irã e também ações em Iraque, Nigéria, Somália, Síria, Iêmen e, mais recentemente, Venezuela.
Após a captura de Maduro no sábado, Trump também ameaçou outros países com ações militares, como Colômbia e Groenlândia, um território autônomo administrado pela Dinamarca, país-membro da Otan.
Quando os jornalistas do NYT lhe perguntaram se prioriza a estabilidade da Otan ou adquirir a Groenlândia, Trump disse: "pode ser uma escolha."
O controle dos Estados Unidos sobre a Groenlândia é "o que sinto que é psicologicamente necessário para o sucesso", acrescentou.
Trump também disse que não tem problema com os negócios internacionais de sua família. "Os proibi de fazerem negócios no meu primeiro mandato e ninguém me deu crédito", disse Trump. "Me dei conta de que ninguém se importa e que posso fazê-lo."
C.Amaral--PC