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Governo francês supera duas moções de censura pelo acordo UE-Mercosul
O governo francês superou, nesta quarta-feira (14), duas moções de censura apresentadas pela esquerda radical e pela extrema direita, devido ao acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, apesar da oposição da França à sua assinatura.
No sábado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve assinar com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai o tratado que criará a maior zona de livre comércio do mundo, com 700 milhões de consumidores.
Mas os agricultores franceses, apoiados por toda a classe política de seu país, opõem-se veementemente, por temerem o impacto da importações de carne, arroz, mel e soja sul‑americanos, em troca da exportação de automóveis e máquinas europeias.
Embora os autores tenham apresentado as duas moções como uma forma de apoiar os agricultores, elas obtiveram 256 e 142 votos favoráveis, quando eram necessários pelo menos 288 para derrubar o governo do primeiro-ministro de centro-direita, Sébastien Lecornu.
Os partidos que apoiam a censura consideram que o governo não fez o suficiente para se opor, já que poderia ter levado o tema à Justiça europeia ou até ameaçado reduzir sua contribuição ao orçamento da UE.
"Durante anos, vocês não só não se opuseram a este acordo, como o apoiaram", afirmou a líder da esquerda radical, Mathilde Panot. A deputada de extrema direita, Hélène Laporte, ressaltou as "declarações contraditórias" do presidente Emmanuel Macron sobre o mesmo.
Lecornu rejeitou as críticas e acusou tanto a extrema direita como a esquerda radical de alimentarem a "divisão", quando todos os partidos deveriam remar juntos para conseguir que o Parlamento Europeu se oponha ao acordo comercial.
O líder do partido conservador Os Republicanos (LR), Bruno Retailleau, justificou a sua falta de apoio à moção de censura alegando que a iniciativa "não acrescenta nada" e que "tudo será decidido no Parlamento Europeu", que ainda deve se pronunciar.
A oposição socialista, que também não apoiou a censura ao governo, instou-o a levar o tratado comercial ao Tribunal de Justiça da União Europeia.
As moções de censura chegam em um momento de fragilidade para o governo de Macron. O primeiro‑ministro busca aprovar os orçamentos de 2026 e desarticular os protestos agrícolas.
Após prometer na terça‑feira uma "lei de emergência agrícola" e outras medidas, os agricultores do FNSEA, principal sindicato agrícola, começaram a retirar seus tratores da Assembleia Nacional (Câmara Baixa) e a deixar Paris.
O partido de esquerda radical A França Insubmissa (LFI, na sigla em francês) também justificou sua moção pela "humilhação" sofrida pela França com a operação militar americana na Venezuela, que Macron foi "incapaz de condenar".
A Assembleia Nacional realizará um debate sobre a Venezuela em 19 de janeiro.
P.Queiroz--PC