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Militares europeus chegam à Groenlândia para apoiar Dinamarca frente à ambição dos EUA
Vários países europeus começaram a enviar militares para a Groenlândia, nesta quinta-feira (15), e a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, advertiu que a ambição dos Estados Unidos de tomar este território dinamarquês do Ártico "segue intacta".
O presidente americano, Donald Trump, tem ameaçado anexar a ilha, alegando que ela é vital para a segurança de seu país, sob o argumento de que, caso contrário, seria ocupada pela Rússia ou pela China. A Casa Branca afirmou que analisa comprá-la e não descarta uma intervenção militar no território rico em recursos minerais.
Na quarta-feira, os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, e da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, se reuniram em Washington com o vice-presidente americano, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio.
A primeira-ministra dinamarquesa assinalou em um comunicado nesta quinta-feira que está sendo criado "um grupo de trabalho" para abordar como melhorar a segurança no Ártico.
Mas "isso não muda o fato de que existe um desacordo fundamental, porque a ambição americana de assumir o controle da Groenlândia segue intacta", disse Mette Frederiksen em nota enviada à AFP.
"É obviamente um assunto grave, e seguimos com nossos esforços para impedir que esse cenário se concretize", acrescentou.
Em tom diferente, o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielson, reiterou que "o diálogo e a diplomacia são o caminho certo a seguir" e comemorou com uma postagem no Facebook que os diálogos estejam "em andamento".
Dois aviões dinamarqueses com tropas pousaram na quarta-feira na Groenlândia e a Dinamarca conseguiu que vários países europeus enviassem uma missão militar de reconhecimento.
França, Suécia, Alemanha, Noruega e Países Baixos estão enviando militares para essa operação, inserida no exercício dinamarquês "Arctic Endurance".
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou, nesta quinta-feira, que uma primeira equipe de militares franceses "já está no terreno" e anunciou que seu país enviará mais "meios terrestres, aéreos e marítimos" nos próximos dias.
- "Consenso" dentro da Otan -
Os reforços militares têm como objetivo preparar as forças armadas para exercícios futuros no Ártico, afirmaram fontes de defesa europeias. Os contingentes são modestos. A Alemanha, por exemplo, enviará 13 soldados, e os Países Baixos, apenas um militar.
Trump fala em anexar a Groenlândia desde que voltou ao poder, há quase um ano. Mas elevou o tom após o ataque americano na Venezuela, com o qual depôs o presidente Nicolás Maduro.
Para tentar apaziguar os Estados Unidos, a Dinamarca prometeu, antes da reunião em Washington, reforçar sua presença militar na Groenlândia a partir da quarta-feira e dialogar com a Otan, da qual faz parte, para ampliar a presença aliada no Ártico.
A primeira-ministra dinamarquesa afirmou que "há um consenso dentro da aliança da Otan de que a presença reforçada no Ártico é crucial para a segurança da Europa e da América do Norte".
Copenhague diz ter investido quase 14 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 75 bilhões) na segurança do Ártico, embora Trump tenha ironizado a iniciativa: "Digam à Dinamarca que saiam daí, JÁ! Dois trenós de cães não bastam!".
Enquanto as conversas de quarta-feira aconteciam, a Casa Branca publicou na rede X um desenho com dois trenós puxados por cães: um seguia em direção à Casa Branca e a uma enorme bandeira americana, e o outro às bandeiras chinesa e russa sobre o Kremlin e a Grande Muralha, atingidos por raios.
A Rússia expressou sua "grave preocupação" com o envio de tropas adicionais da Otan para a Groenlândia, em nota publicada na quarta-feira por sua embaixada em Bruxelas, sede da Aliança Atlântica.
Em Nuuk, capital do território autônomo dinamarquês, veem-se por toda parte as bandeiras vermelhas e brancas da Groenlândia, dispostas nas vitrines das lojas, nas janelas das casas, em carros e ônibus, e até mesmo no cabo de um guindaste, constatou um jornalista da AFP no local.
"É muito assustador, porque é algo enorme", comentou sobre os planos de Trump a professora Vera Stidsen, de 51 anos, ao sair de um supermercado.
A incorporação dos 2,16 milhões de km² da Groenlândia faria os Estados Unidos superarem China e Canadá para se tornarem o segundo maior país do mundo em extensão territorial, atrás apenas da Rússia.
V.Fontes--PC