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Rússia classifica como 'mito' acusações de ameaça à Groenlândia
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, classificou nesta quinta-feira (15) como "mito" as acusações de que seu país representa uma "ameaça" à Groenlândia, após o anúncio do envio de tropas adicionais da Otan para esse território dinamarquês no Ártico.
Desde que voltou à presidência dos Estados Unidos há um ano, Donald Trump insiste em controlar essa ilha estratégica e pouco povoada do Ártico por razões de segurança nacional, alegando que, caso contrário, Rússia ou China imporiam sua hegemonia na região.
O vice-primeiro-ministro da Groenlândia, Mute Egede, informou o deslocamento de mais tropas da Otan para o território a partir de quarta-feira, após uma reunião na Casa Branca entre altos funcionários da Dinamarca e desse território autônomo dinamarquês e autoridades americanas.
Vários países europeus, membros da Otan, começaram nesta quinta-feira a enviar militares para uma missão de reconhecimento em apoio à Dinamarca, sob pressão dos Estados Unidos. O Ministério da Defesa da Alemanha afirmou que busca "explorar opções para garantir a segurança diante das ameaças russas e chinesas no Ártico".
Zakharova afirmou em entrevista coletiva que "o mito de uma suposta ameaça russa, promovido de forma persistente durante muitos anos pela Dinamarca e por outros membros da União Europeia e da Otan" é "especialmente contraditório", à luz das recentes declarações dos Estados Unidos sobre a Groenlândia.
Para a porta-voz, o anúncio do envio de tropas adicionais da Otan ao Ártico "deve ser considerado como mais uma provocação dos países ocidentais, que tentam impor suas regras, inclusive nessa parte do mundo".
A chancelaria russa se manifestou depois de a embaixada da Rússia em Bruxelas - sede da Aliança Atlântica - ter afirmado na noite de quarta-feira que "em vez de realizar um trabalho construtivo no âmbito das instituições existentes, em particular o Conselho Ártico, a Otan optou por acelerar a militarização do Norte e reforçar sua presença militar ali com o pretexto imaginário de uma ameaça crescente por parte de Moscou e Pequim".
A Casa Branca afirmou que avalia comprar essa imensa ilha, sem descartar uma intervenção militar nesse território rico em recursos minerais.
F.Moura--PC