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Trump convida mais líderes a se unirem ao 'Conselho da Paz' para Gaza
O "Conselho da Paz" anunciado pelo presidente americano, Donald Trump, para o pós-guerra em Gaza, começou a tomar forma neste sábado (17), com convites de adesão para os líderes de Egito, Turquia, Argentina, Canadá e Paraguai.
Os anúncios dos convites para estes líderes foram feitos depois que o presidente americano nomeou seu secretário de Estado, Marco Rubio; o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair; e seus negociadores Jared Kushner e Steve Witkoff para esta instância.
Trump já tinha se declarado presidente do organismo que ele mesmo criou, enquanto promove uma visão controversa de desenvolvimento econômico no território palestino, em ruínas após mais de dois anos de implacáveis bombardeios israelenses.
Os anúncios foram feitos depois que um comitê palestino de tecnocratas, destinado a governar Gaza, realizou sua primeira reunião no Cairo, da qual participou Kushner, genro de Trump, que há meses trabalha com Witkoff no tema.
No Canadá, um alto assessor do primeiro-ministro Mark Carney disse que tinha a intenção de aceitar o convite de Trump, enquanto na Turquia, um porta-voz do presidente Recep Tayyip Erdogan afirmou que lhe foi pedido para se tornar "membro fundador" do conselho.
O ministro das Relações Exteriores do Egito, Badr Abdelatty, disse que o Cairo estava "estudando" um pedido para que o presidente Abdel Fattah al-Sisi se unisse à iniciativa.
Compartilhando uma imagem da carta de convite, o presidente argentino, Javier Milei, escreveu no X que será "uma honra" participar como membro fundador da entidade.
O presidente paraguaio, Santiago Peña, também foi convidado e disse assumir "a responsabilidade com honra".
Em um comunicado enviado à AFP, Blair disse: "Agradeço ao presidente Trump por sua liderança, ao estabelecer o Conselho da Paz e me honra ter sido designado para sua Junta Executiva".
Blair é uma personalidade controversa no Oriente Médio, devido ao seu papel na invasão do Iraque, em 2003. O próprio Trump disse no ano passado que queria se assegurar de que Blair fosse uma "opção aceitável para todos".
Após deixar Downing Street, em 2007, o ex-primeiro-ministro passou anos centrado na questão israelense-palestina como representante do "Quarteto para o Oriente Médio" (Nações Unidas, União Europeia, Estados Unidos e Rússia).
A Casa Branca informou que o Conselho de Paz abordará temas como "o fortalecimento da capacidade de governança, relações regionais, reconstrução, atração de investimentos, financiamento em larga escala e mobilização de capital".
Os outros membros do conselho até agora são o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, um empresário americano nascido na Índia; o bilionário financista americano Marc Rowan; e Robert Gabriel, um colaborador leal de Trump, que faz parte do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos.
O mandatário americano criou um segundo "comitê executivo para Gaza", que parece ser desenhado para ter um papel de assessor. Não estava claro de imediato quais líderes mundiais foram convidados para cada conselho.
A Casa Branca, que informou na sexta-feira que mais membros para as duas entidades serão nomeados, não respondeu imediatamente a um pedido por comentários.
- Ataques de Israel -
Washington tem dito que o plano para Gaza passou para uma segunda fase, de implementar o cessar-fogo a desarmar o Hamas, cujo ataque sem precedentes em 7 de outubro de 2023 contra Israel provocou a maciça ofensiva militar israelense no território palestino.
Na sexta-feira, Trump nomeou o general de divisão americano Jasper Jeffers para comandar a Força Internacional de Estabilização, que terá a tarefa de dar segurança a Gaza e formar uma nova força policial que substitua o Hamas.
Jeffers, das operações especiais do Comando Central dos Estados Unidos, foi colocado como encarregado, no final de 2024, a monitorar um cessar-fogo entre o Líbano e Israel, que continuaram com ataques periódicos dirigidos contra militares do Hezbollah.
Ali Shaath, originário de Gaza e ex-vice-ministro da Autoridade Palestina, havia sido designado previamente para dirigir o comitê de governo.
Neste sábado, Israel questionou a composição deste comitê. "O anúncio da composição do Comitê Executivo de Gaza, subordinado ao Conselho de Paz [criado por Trump], não foi coordenado com Israel e contraria sua política", assinalou um comunicado do gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Trump, que fez fortuna no ramo imobiliário, chegou a cogitar no passado transformar a Faixa de Gaza em uma área de complexos turísticos no estilo da Riviera francesa, embora tenha se distanciado da ideia de deslocar à força a população palestina do território.
A.Aguiar--PC