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Líder supremo do Irã diz que autoridades devem 'quebrar as costas dos insurgentes'
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, disse, neste sábado (17), que as autoridades "têm a obrigação de quebrar as costas dos insurgentes", e culpou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelas mortes ocorridas durante a repressão à recente onda de protestos.
"Não pretendemos levar o país à guerra, mas não perdoaremos os criminosos domésticos (...) assim como não perdoaremos os criminosos internacionais, piores que os domésticos", disse a uma multidão de apoiadores reunidos por ocasião de uma festividade religiosa.
"A nação iraniana deve quebrar as costas dos insurgentes, da mesma forma que quebrou a insurreição", acrescentou.
Desde 28 de dezembro, o Irã é sacudido por uma onda de protestos, que começou entre comerciantes descontentes com a crise econômica no país e logo levou a uma mobilização contra o regime teocrático vigente desde a revolução de 1979.
As autoridades iranianas, que qualificam os protestos de "terroristas" e acusam os Estados Unidos de instigá-los, desencadearam uma campanha de repressão que, segundo a ONG Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, deixou pelo menos 3.428 mortos. O governo também cortou a internet desde 8 de janeiro.
Khamenei aproveitou seu discurso para criticar Trump, que havia ameaçado atacar o Irã caso o regime começasse a executar alguns dos manifestantes detidos.
"Consideramos o presidente americano culpado pelos mortos, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana", disse o aiatolá, no poder desde 1989. "Tudo isso foi uma conspiração americana", declarou, acrescentando que "o objetivo dos Estados Unidos é devorar o Irã (...) é submeter o Irã militar, política e economicamente".
O procurador de Teerã, Ali Salehi, declarou à TV estatal que a resposta do governo foi "firme, dissuasiva e rápida".
- Magnitude da repressão -
No entanto, a preocupação com o número de mortos na repressão aumentava. Os dados são de difícil verificação, devido às restrições impostas à internet.
"As medições mostram um aumento muito leve da conectividade na manhã de hoje", informou a ONG. "A conectividade geral permanece em torno de 2% dos níveis habituais, e não há sinais de uma recuperação significativa."
Desde o restabelecimento das conexões telefônicas, iranianos no exterior recebem notícias de familiares por meio de comunicações curtas, devido ao seu custo elevado e por temerem que as mensagens sejam interceptadas ou que as autoridades os considerem espiões.
Segundo a organização de defesa dos direitos humanos Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, 3.428 manifestantes foram mortos pelas forças de segurança. A ONG ressalta que esse balanço poderia ser maior.
O canal de oposição Iran International, com sede no exterior, anunciou que 12.000 pessoas morreram nas manifestações, citando autoridades do governo e fontes da segurança.
E.Paulino--PC