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Rússia, Ucrânia e EUA se reúnem em Abu Dhabi para discutir questão territorial do conflito
Representantes de Rússia, Ucrânia e Estados Unidos realizarão uma reunião trilateral em Abu Dhabi nesta sexta-feira (23), anunciou o Kremlin, para discutir a complexa questão territorial do conflito.
A reunião trilateral foi anunciada após um encontro em Moscou entre o presidente russo, Vladimir Putin, e o enviado americano Steve Witkoff.
"Ficou acordado que a primeira reunião de um grupo de trabalho trilateral sobre questões de segurança ocorrerá em Abu Dhabi a partir de hoje", disse o assessor diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov, a jornalistas.
A delegação russa, chefiada pelo general Igor Kostiukov, oficial superior do Estado-Maior, "viajará para Abu Dhabi nas próximas horas", acrescentou.
A Ucrânia será representada pelo secretário do Conselho de Segurança, Rustem Umerov; pelo chefe do gabinete presidencial, Kirill Budanov; pelo seu vice, Sergi Kislitsya; pelo líder do partido presidencial, David Arakhamia; e pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Andrii Gnatov.
"O Donbass é uma questão fundamental. Será discutida da maneira que as três partes considerarem adequada" em Abu Dhabi, declarou o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, em uma coletiva de imprensa.
A Rússia, que controla cerca de 20% do território ucraniano, exige a retirada completa das tropas ucranianas da região do Donbass, no leste do país. Exige também que Kiev se comprometa a não aderir à Otan.
Ushakov enfatizou que a reunião de quinta-feira em Moscou entre Putin e Witkoff foi "útil em todos os sentidos", particularmente por viabilizar este encontro trilateral.
"Os americanos se empenharam muito na preparação para esta reunião e esperam que ela seja um sucesso e abra caminhos para avançar em todas as questões relacionadas ao fim do conflito" na Ucrânia, observou Ushakov.
- Garantias de segurança -
Outra reunião, dedicada a questões econômicas, também ocorrerá nesta sexta-feira em Abu Dhabi entre Witkoff e o enviado do Kremlin para assuntos econômicos internacionais, Kirill Dmitriev, especificou.
"Estamos sinceramente interessados em uma solução para o conflito por meios políticos e diplomáticos", afirmou Ushakov. Porém, "até que isso aconteça, a Rússia continuará alcançando seus objetivos (...) no campo de batalha", acrescentou.
Steve Witkoff, acompanhado pelo genro de Trump, Jared Kushner, conversou com Putin por mais de três horas e meia.
O enviado já se reuniu com o presidente russo em diversas ocasiões no ano passado, como parte dos esforços dos EUA para pôr fim a quase quatro anos de conflito na Ucrânia.
No Fórum de Davos, o presidente ucraniano teve uma breve reunião com Trump na quinta-feira e descreveu o encontro como "positivo", embora tenha reconhecido que o diálogo foi "complexo".
No entanto, ele afirmou ter chegado a um acordo sobre as garantias de segurança que os Estados Unidos devem oferecer à Ucrânia para dissuadir a Rússia de atacar novamente após um eventual fim do conflito.
"As garantias de segurança estão prontas", afirmou, acrescentando que "o documento precisa ser assinado pelas partes, pelos presidentes, e então seguirá para os parlamentos nacionais".
Nos últimos meses, Moscou intensificou os ataques contra a rede energética ucraniana, causando apagões massivos e cortes no fornecimento de energia e calefação, especialmente na capital, em pleno inverno.
A.Santos--PC