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Pró-Trump, Asfura assume Presidência de Honduras com promessa de combate à insegurança
O conservador Nasry Asfura, aliado do presidente americano, Donald Trump, assumiu a Presidência de Honduras, nesta terça-feira (27), com a promessa de combater "de frente" a insegurança no país mais pobre e violento da América Central.
Sua chegada ao poder vira a página de quatro anos do governo de esquerda de Xiomara Castro e garante a Trump mais um aliado na América Latina, após o avanço da direita em Chile, Bolívia, Peru e Argentina.
"Segurança, lutar contra a insegurança de frente, não tenham dúvida disso", prometeu Afura, de 67 anos, ao prestar juramento ao cargo em uma cerimônia austera no Congresso.
O presidente recém-empossado planeja reforçar a presença da Polícia em áreas conflituosas para obter o controle territorial e aplicar um plano anti-extorsão.
Honduras é assolada pela violência das gangues Mara Salvatrucha e Barrio 18, declaradas organizações terroristas pela administração Trump e também presentes em Estados Unidos, El Salvador e Guatemala.
Asfura antecipou que porá fim a um estado de exceção declarado por sua antecessora, similar ao que sustenta a guerra contra as gangues do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, criticado por ONGs de defesa dos direitos humanos.
Com o principal bloco legislativo a seu lado, mas insuficiente para obter maioria, o novo presidente pediu apoio à sua agenda, sem dar detalhes sobre seus projetos.
"Para mim (...) não há diferenças, nem cores políticas, não existem ideologias que vão nos dividir", afirmou Asfura, eleito presidente por uma estreita margem, com o apoio de seu par americano e em meio a denúncias de fraude dos adversários.
- "Novo capítulo" com os EUA -
Trump ameaçou cortar a ajuda a Honduras se seu aliado não vencesse. Asfura disse, nesta terça-feira, que precisa "falar sobre vários temas" com seu par americano, ao evitar responder a uma pergunta da imprensa sobre se pedirá ao colega para deter as deportações de imigrantes.
Sua chegada ao poder marca "o início de um novo capítulo" na relação bilateral, assinalou no X a encarregada de negócios da embaixada americana em Tegucigalpa, Colleen Hoey.
Em Honduras, onde a pobreza assola 60% de seus 11 milhões de habitantes, as remessas dos dois milhões de imigrantes residentes nos Estados Unidos, a maioria sem documentos, representam um terço do PIB.
"Tito" Asfura ou "Papi a la Orden" (Papai, às ordens), como é conhecido popularmente, pretende que os Estados Unidos restituam o status de proteção temporária (TPS), que beneficia cerca de 60 mil hondurenhos no país.
Com origem palestina, o presidente hondurenho já se reuniu em Washington há duas semanas com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e em seguida visitou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Durante o encontro com Rubio, foi discutida uma maior cooperação na área da segurança, uma das obsessões de Trump na América Latina, juntamente com a luta contra a imigração ilegal.
- No meio da queda-de-braço EUA-China -
Os Estados Unidos são o destino de 60% das exportações de Honduras e, após o encontro com Rubio, foi anunciado que ambos os países planejam negociar um acordo de livre comércio.
Em meio à queda-de-braço entre Washington e Pequim, Asfura avaliará retomar os vínculos com Taiwan. Honduras estabeleceu relações com a China em 2023, durante o governo anterior da esquerdista Xiomara Castro.
Em várias ocasiões, ele disse a veículos de comunicação que analisaria os compromissos assumidos com a China e que seria preciso redefinir as relações, sem dizer explicitamente se romperá com Pequim.
Nesta terça-feira, o presidente reiterou que busca atrair investimento externo, desenvolver infraestruturas e cortar os gastos neste país, onde a dívida pública representa 45% do PIB, segundo dados oficiais.
"Honduras, não vou falhar contigo. Vamos ficar bem!", exclamou Asfura em declarações à imprensa, ao deixar o Congresso.
Washington tem dito que espera reforçar a cooperação em segurança com Honduras, embora pouco antes das eleições tenha indultado o ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, correligionário de Asfura e que cumpria pena de 45 anos de prisão por narcotráfico nos Estados Unidos.
"A nós só nos resta trabalhar porque somos pobres. Ele não vai vir me ajudar com meu negócio, nem me dar dinheiro para a comida. Tomara que não haja bagunça, nem de corrupção, nem de outro tipo", disse à AFP Ana María Oliva, de 19 anos, em sua barraca de frutas na capital.
X.Matos--PC