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Bombardeios russos na Ucrânia matam 12 pessoas e atingem trem de passageiros
Bombardeios russos contra instalações energéticas da Ucrânia e contra um trem de passageiros deixaram 12 mortos e dezenas de feridos, informaram nesta terça-feira (27) as autoridades ucranianas, em meio às tratativas diretas entre Moscou e Kiev para tentar pôr fim a quatro anos de guerra.
O presidente Volodimir Zelensky afirmou que o trem atacado na região de Kharkiv transportava 200 passageiros. A primeira-ministra, Yulia Svyrydenko informou que cinco pessoas morreram nesse ataque.
"Não existe nem pode existir qualquer justificativa militar para matar civis em um vagão de trem", disse o presidente no Telegram.
Zelensky afirmou que o último bombardeio minou os esforços de paz e pediu aos aliados que aumentem a pressão sobre Moscou para pôr fim à guerra.
"Cada ataque russo desse tipo corrói a diplomacia que ainda está em andamento e mina os esforços dos parceiros que estão ajudando a encerrar esta guerra", escreveu.
A região de Odessa, no sul, foi atacada por cerca de 50 drones russos, segundo as autoridades locais. Os corpos de três pessoas foram encontrados entre os escombros nessa área, onde também foram registrados cerca de 30 feridos.
De acordo com Oleh Kiper, governador regional de Odessa, entre os feridos há duas crianças e uma "mulher grávida de 39 semanas".
Um jornalista da AFP constatou o desabamento da fachada de um edifício residencial, onde um grupo de socorristas buscava possíveis vítimas.
A empresa privada de energia DTEK informou que as forças russas causaram danos "enormes" em suas instalações.
Na região de Odessa fica o principal porto ucraniano no Mar Negro e a área costuma ser alvo de ataques de Moscou.
Os drones danificaram "dezenas de imóveis residenciais" e "uma igreja, um jardim de infância, um liceu e um ginásio", detalhou o governador Kiper.
No leste, uma bomba atingiu a cidade de Sloviansk pela manhã e matou um casal de cerca de 40 anos, além de ferir o filho deles, de 20, segundo a Promotoria da região de Donetsk.
Também houve bombardeios na região de Zaporizhzhia, no sul, onde morreu um homem que estava em sua casa. E em Kherson, também no sul, outra pessoa faleceu.
A companhia estatal de gás Naftogaz afirmou que uma de suas usinas no oeste do país foi atingida pelos ataques, pela quinta vez neste mês.
- Ataques após a diplomacia -
Os ataques ocorreram depois que representantes dos Estados Unidos, da Ucrânia e da Rússia se reuniram na sexta-feira e no sábado em Abu Dhabi, nas primeiras negociações diretas conhecidas entre Kiev e Moscou sobre a proposta de Washington para pôr fim ao conflito, iniciado em fevereiro de 2022 com a invasão russa da Ucrânia.
As conversas devem ser retomadas no domingo, na capital dos Emirados.
- Centenas de milhares de mortos -
As forças de Moscou arcam com a maior parte das perdas, com até 325 mil mortos entre 1,2 milhão de baixas em suas fileiras desde o começo da invasão, em fevereiro de 2022, segundo o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em inglês).
"Nenhuma grande potência sofreu nem remotamente de perto este número de baixas ou mortes em qualquer conflito desde a Segunda Guerra Mundial", indicou o CSIS.
A Ucrânia também sofreu perdas significativas: entre 500 mil e 600 mil baixas, das quais entre 100 mil e 140 mil foram mortes, entre fevereiro de 2022 e dezembro de 2025.
"As baixas combinadas de Rússia e Ucrânia poderiam chegar a 1,8 milhão e alcançar um total de dois milhões para a primavera [boreal] de 2026", indicou o CSIS.
F.Carias--PC