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Irã tenta resistir à ameaça dos EUA e sanções da UE
O Irã manteve sua postura desafiadora nesta quinta-feira (29) ao ameaçar aplicar uma "resposta esmagadora" caso os Estados Unidos ataquem o país, e depois de classificar como "erro estratégico" a decisão da União Europeia (UE) de sancionar a Guarda Revolucionária iraniana, mas reconhece que Teerã deve se preparar "para um estado de guerra".
Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia concordaram em designar como "organização terrorista" a Guarda Revolucionária do Irã, braço armado da República Islâmica. Eles acusam o grupo de orquestrar a repressão sangrenta das manifestações antigovernamentais de janeiro.
"Qualquer regime que mate milhares de seus próprios cidadãos trabalha para sua própria destruição", afirmou a chefe de diplomacia do bloco, Kaja Kallas, estimando, no entanto, que o Oriente Médio não precisa de uma "nova guerra".
"'Terrorista', é assim que se qualifica um regime que reprime com sangue as manifestações de seu próprio povo", reagiu a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Israel, inimigo declarado do Irã, celebrou o que considerou como "decisão histórica".
Para as Forças Armadas iranianas, trata-se de um ato "irresponsável" e "mal-intencionado".
É "um erro estratégico importante (...) a Europa alimenta o fogo", denunciou o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, que na quarta-feira já havia advertido que as Forças Armadas de seu país estão "com o dedo no gatilho", preparadas para responder a qualquer ataque americano.
Os europeus também sancionaram vários funcionários de alto escalão iranianos, incluindo o ministro do Interior, Eskandar Momeni, o chefe da polícia e vários líderes da Guarda Revolucionária. Ao todo, cerca de 21 entidades e indivíduos terão a entrada proibida na UE, que também congelou seus ativos.
- Ameaças dos EUA -
Os europeus vinculam suas sanções à repressão da dissidência, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foca no programa nuclear iraniano, sem mencionar a situação interna do país.
Na quarta-feira, o mandatário americano exigiu um acordo e alertou que "o tempo se esgota" antes de um possível ataque dos EUA, "pior" que o realizado em junho de 2025 contra instalações nucleares iranianas.
Apesar das ameaças, o Irã se mostra inflexível.
Nesta quinta-feira, o chefe das Forças Armadas, Amir Hatami, prometeu uma "resposta esmagadora" e ordenou a mobilização de mil drones estratégicos nos regimentos de combate.
"Nossa estratégia é que nunca começamos uma guerra, mas se nos for imposta, nos defenderemos", completou.
O Irã ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz, um ponto crucial de passagem do transporte de gás liquefeito e petróleo procedentes do Golfo.
O jornal Kayhan, próximo ao governo, afirma nesta quinta-feira que "a República Islâmica do Irã tem o direito de fechar o Estreito de Ormuz". "Se o inimigo vier com uma espada, não vamos recebê-lo com um sorriso diplomático", acrescentou a publicação.
- Potencial de negociação -
Apesar do teor incendiário das declarações, a via diplomática permanece aberta.
O vice-presidente afirmou que o Irã está disposto a negociar com os Estados Unidos. Mas "desta vez queremos garantias", declarou sem especificá-las.
Nesta semana, o chanceler iraniano manteve negociações com os países do Golfo, que se opõem a uma intervenção americana.
"Isso mergulharia a região no caos, afetaria a economia e faria explodir os preços do petróleo e do gás", disse à AFP um funcionário de um destes países sob condição de anonimato.
O preço do barril de petróleo já atingiu seu nível mais alto desde agosto.
O ministro iraniano das Relações Exteriores terá reuniões na sexta-feira na Turquia, país que pretende assumir um papel de mediação para acalmar a tensão entre Teerã e Washington.
A Rússia afirmou, por sua vez, que o potencial de negociação com o Irã "está longe de ter se esgotado" e pediu "moderação" a "todas as partes".
O balanço das ONGs sobre a repressão do governo em várias cidades do país, no início do mês, cita milhares de mortos, que na realidade podem ser dezenas de milhares.
A Agência de Notícias de Ativistas pelos Direitos Humanos (HRANA), com sede nos Estados Unidos, afirmou ter verificado 6.373 mortos, a maioria manifestantes atingidos por tiros das forças de segurança.
O grupo acrescentou que pelo menos 42.486 pessoas foram detidas e escreveu no X que o número de mortos poderia superar 17 mil.
Nesta quinta-feira, cafeterias e lojas estavam abertas em Teerã. Havia novamente engarrafamentos no centro da cidade, onde se viam cartazes pró-governo.
L.Henrique--PC