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Paquistão procura autores de ataques separatistas que deixaram quase 200 mortos
As forças de segurança do Paquistão procuravam neste domingo (1) os autores dos ataques separatistas em diversos pontos da província do Baluchistão, que deixaram mais de 190 mortos.
Os ataques de sábado atingiram bancos, prisões, delegacias e instalações militares.
O balanço de vítimas fatais inclui pelo menos 31 civis e 17 membros das forças de segurança, além de 145 criminosos, segundo Sarfraz Bugti, ministro-chefe do Baluchistão.
O Exército de Libertação do Baluchistão (BLA, na sigla em inglês), o grupo separatista mais ativo da província, reivindicou os ataques em um comunicado.
A organização, considerada "terrorista" pelos Estados Unidos, afirmou que atacou instalações militares, policiais e funcionários da administração civil, com tiros e atentados suicidas.
O serviço de internet móvel está bloqueado há mais de 24 horas em toda a província, onde estradas foram bloqueadas e os trens estão fora de operação.
Na cidade de Quetta, a capital do Baluchistão, as principais ruas e estabelecimentos comerciais estavam desertos neste domingo. Os moradores permaneceram em casa por medo. Em várias ruas, era possível observar fragmentos de metal e veículos destruídos.
"Quem sai de casa não tem garantia de que vai retornar são e salvo. Há um medo constante sobre se voltarão ilesos", disse à AFP Hamdullah, um comerciante de 39 anos que utiliza apenas um nome.
Segundo o ministro-chefe da província, todos os distritos atacados estavam seguros neste domingo.
"Estamos perseguindo a todos, não deixaremos que escapem tão facilmente. Nosso sangue não é tão barato. Vamos persegui-los até seus esconderijos", disse em uma entrevista coletiva.
O ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, afirmou, sem apresentar evidências, que o ataque teve o apoio da Índia.
"Não perdoaremos nenhum terrorista envolvido nestes incidentes", declarou.
- Ataques durante o dia -
Há várias décadas, o Paquistão enfrenta uma insurgência separatista no Baluchistão, uma província rica em minerais que faz fronteira com o Afeganistão e o Irã.
Os insurgentes executam ataques armados com frequência contra as forças de segurança, estrangeiros e paquistaneses procedentes de outras regiões.
O Baluchistão é a província mais pobre e extensa do Paquistão. Os separatistas acusam o governo paquistanês de explorar o seu gás natural e os recursos da província sem qualquer benefício para a população.
Os ataques de sábado aconteceram um dia após o Exército informar a morte de 41 insurgentes em duas operações separadas na província.
Os insurgentes divulgaram um vídeo em que seu líder, Bashir Zaib, aparece à frente de unidades armadas em motocicletas.
"Foi um dos ataques mais ousados na região nos últimos anos, já que, ao contrário de outros atentados, ocorreu em plena luz do dia", disse Abdul Basit, da S. Rajaratnam School of International Studies, em Singapura.
Diversos vídeos do BLA mostram mulheres insurgentes e, segundo o ministro da Defesa do Paquistão, Khawaja Asif, pelo menos uma das mulheres-bomba era uma jovem.
Nogueira--PC