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Rússia retoma ataques em larga escala contra Ucrânia durante onda de frio
A Ucrânia acusou, nesta terça-feira (3), a Rússia de ter executado o ataque "mais potente" do ano contra suas já fragilizadas instalações de energia, o que deixou centenas de milhares de pessoas sem aquecimento sob uma onda de frio extremo, na véspera das negociações em busca de uma saída para quase quatro anos de guerra.
Os ataques foram executados poucas horas antes da chegada à Ucrânia do secretário-geral da Otan, Mark Rutte.
"Ataques russos como os de ontem à noite não demonstram seriedade a respeito da paz", opinou Rutte em um discurso no Parlamento ucraniano.
A Rússia invadiu a Ucrânia em fevereiro de 2022, o que desencadeou o pior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, com um balanço de dezenas de milhares de mortos nos dois lados, ou até centenas de milhares.
Os ataques não dão trégua, mesmo com a previsão de um segundo ciclo de negociações na quarta e quinta-feira em Abu Dhabi para buscar uma saída diplomática, com a mediação dos Estados Unidos.
Explosões foram ouvidas durante toda a noite na capital ucraniana e mais de mil edifícios ficaram sem aquecimento, com temperaturas abaixo de 20 graus negativos.
O novo ataque contra o setor energético ucraniano ocorre após alguns dias de calma. O Kremlin anunciou na semana passada que havia aceitado, a pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, interromper os ataques contra Kiev "até 1º de fevereiro".
Zelensky condenou duramente um "ataque deliberado contra a infraestrutura energética, com um número recorde de mísseis balísticos".
Também acusou Moscou de ter aproveitado a pausa para "acumular mísseis" e "esperar os dias mais frios do ano" para atacar.
"Centenas de milhares de famílias, incluindo crianças, foram deliberadamente privadas de aquecimento", lamentou o ministro da Energia ucraniano, Denis Shmigal.
Segundo a Força Aérea ucraniana, o Exército russo disparou 71 mísseis e 450 drones de ataque. Trinta e oito mísseis e 412 drones foram interceptados.
O governo ucraniano está convencido de que os ataques pretendem abalar o ânimo da população. Os disparos atingiram oito regiões, incluindo Kiev, Dnipro (centro-leste), Kharkiv (nordeste) e Odessa (sul).
- Monumento soviético -
Segundo a operadora privada de energia DTEK, foi "o ataque mais potente contra o setor energético desde o começo do ano".
Pelo menos 1.100 prédios estão sem aquecimento nos bairros da zona leste da capital, informou o prefeito, Vitali Klitschko. Especialistas avaliam as possibilidades de reparos nas instalações, acrescentou.
Em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, mais de 100.000 casas foram afetadas.
"Acordei com um clarão e ouvi uma explosão muito forte. Em pânico, eu e meu pai saímos correndo", declarou à AFP Mikita, um estudante.
"Nossas janelas estão quebradas e não temos aquecimento", disse Anastasia Gritsenko. "Não sabemos o que fazer".
Um famoso monumento soviético que celebra a vitória sobre a Alemanha nazista também sofreu danos, a estátua gigante da "Mãe Pátria" em Kiev.
- "Aterrorizar a população" -
Como é habitual, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que visou o "complexo militar-industrial ucraniano e instalações energéticas utilizadas em seu benefício".
Antes da trégua da semana passada, a Rússia já havia atacado centrais elétricas e o setor de gás ucraniano, provocando uma crise energética.
"Aproveitar os dias de inverno mais frios para aterrorizar a população é mais importante para a Rússia do que escolher a diplomacia", denunciou Zelensky.
As negociações diplomáticas são complexas. Segundo Zelensky, o principal ponto de atrito é territorial.
Moscou exige que as forças ucranianas abandonem as áreas sob seu controle no Donbass, uma região industrial do leste do país. Kiev não aceita.
A Rússia ocupa atualmente pouco mais de 19% da Ucrânia, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014.
J.Oliveira--PC