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EUA diz ter derrubado drone iraniano que se aproximou de seu porta-aviões
Os Estados Unidos derrubaram, nesta terça-feira (3), um drone iraniano que se aproximou "agressivamente" de um porta-aviões americano que está no Mar Arábico, informou um porta-voz militar.
Este incidente não altera o compromisso de manter negociações entre o enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, e altos funcionários do Irã, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
A reunião bilateral está prevista para 6 de fevereiro na Turquia, informou à AFP, nesta terça-feira, um funcionário árabe sob a condição do anonimato. O encontro é resultado das "gestões de Egito, Catar, Turquia e Omã", acrescentou.
A derrubada do drone foi o segundo enfrentamento entre os dois países no Oriente Médio em um dia, depois que as forças iranianas tentaram deter um petroleiro com bandeira americana no Estreito de Ormuz.
Washington e Teerã concordaram em manter os diálogos depois de o presidente americano, Donald Trump, ameaçar reiteradamente o Irã com uma ação militar, e de Teerã ter advertido que responderá com ataques contra navios e bases americanas.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, anunciou nesta terça que encarregou seu chanceler, Abbas Araghchi, de realizar negociações nucleares "equitativas" com os Estados Unidos, depois da advertência do presidente americano, Donald Trump, de que "coisas ruins" vão acontecer se um acordo não for alcançado.
"Pedi ao meu ministro das Relações Exteriores que, dadas as condições adequadas, sem ameaças, nem exigências insensatas, realize negociações equitativas [...] no âmbito dos nossos interesses nacionais", declarou Pezeshkian no X.
- 'Defesa própria' -
"Um caça F-35C do Abraham Lincoln derrubou um drone iraniano em defesa própria e para proteger o porta-aviões e o pessoal a bordo", afirmou, em nota, o porta-voz do Comando Central militar, capitão Tim Hawkins.
Segundo a agência de notícias iraniana Tasnim, o drone "realizava uma missão habitual e legal de reconhecimento, vigilância e registro fotográfico. Transmitiu imagens com sucesso" antes de a comunicação ser perdida por um motivo "em investigação".
O drone Shahed-139 "continuou voando em direção à embarcação, apesar das medidas de desescalada tomadas pelas forças americanas", disse Hawkins.
O porta-aviões Abraham Lincoln chegou ao Mar Arábico no mês passado para aumentar a pressão de Washington sobre Teerã.
Os países ocidentais suspeitam que a República Islâmica pretende desenvolver a arma atômica, o que Teerã desmente.
As duas partes já haviam negociado em 2025, durante a primavera no hemisfério norte, antes da guerra de 12 dias desencadeada em junho por Israel. Mas aquelas tratativas fracassaram ao tropeçar principalmente na questão do enriquecimento de urânio.
Os Estados Unidos exigem que o Irã renuncie por completo a este processo atômico, ao que a República Islâmica se nega, alegando seu direito em virtude do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), do qual é signatário.
"O presidente Trump diz 'não às armas nucleares' e estamos totalmente de acordo nesse ponto [...] Obviamente, em troca esperamos uma suspensão das sanções", disse o chanceler iraniano no domingo à CNN.
A República Islâmica assinou em 2015 um acordo que regulava estritamente suas atividades nucleares, mas este se tornou sem efeito após a retirada unilateral dos Estados Unidos ordenada por Trump em seu primeiro mandato.
Nas ruas de Teerã, Ali Hamidi, um aposentado de 68 anos, considerou que as "tensões atuais" são "inúteis".
"Os Estados Unidos deveriam se ocupar de seus próprios assuntos", disse à AFP, acrescentando que "os dirigentes iranianos também têm culpa por não atenderem às necessidades do povo".
- Empresário investigado -
No Irã, a repressão das manifestações contra o governo continua. A TV estatal reportou, na segunda-feira, que quatro cidadãos estrangeiros, cuja nacionalidade não foi informada, foram detidos por "participação nos distúrbios".
Segundo a ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, mais de 50.000 pessoas foram detidas. A organização também pôde confirmar 6.854 mortes, manifestantes em sua maioria.
As autoridades iranianas admitem a morte de milhares de pessoas, mas afirmam que, em sua grande maioria, eram agentes de segurança ou pessoas que passavam por ali e foram assassinadas por serem "terroristas".
Segundo o governo, a onda de protestos foi uma operação orquestrada por Estados Unidos e Israel.
Nesta terça, o Judiciário informou que continuava investigando Mohammad Saedinia, proprietário de uma famosa marca de doces e de uma rede de cafeterias, detido em meados de janeiro suspeito de apoiar os protestos.
"Se ficar demonstrado [...] que seus atos causaram estes danos, será exposto não só a sanções penais, mas também terá que indenizar os danos com seus bens", disse, em entrevista coletiva, Asghar Jahangir, porta-voz do poder Judiciário.
L.E.Campos--PC