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Argentina assina acordo de comércio e investimento com EUA
A Argentina assinou um acordo de comércio e investimento recíproco com os Estados Unidos, informou nesta quinta-feira (5) o governo de Javier Milei, que detalhou que o tratado concederá à carne argentina um acesso "sem precedentes" ao mercado americano.
Ambos os países haviam anunciado em novembro um acordo-quadro para que a Argentina abrisse seu mercado a produtos dos Estados Unidos em troca de uma redução das tarifas sobre algumas de suas exportações.
A Presidência argentina informou nesta quinta-feira que o acordo tem como objetivo "reduzir barreiras tarifárias e não tarifárias, facilitar o comércio de bens e serviços, modernizar os procedimentos aduaneiros e promover o investimento em setores estratégicos como energia, minerais críticos, infraestrutura e tecnologia".
O acordo-quadro anunciado em novembro previa acesso preferencial a produtos americanos como medicamentos, produtos químicos, maquinário, tecnologias da informação, dispositivos médicos, veículos automotores e produtos agrícolas.
Por sua vez, os Estados Unidos propunham eliminar as tarifas recíprocas "sobre certos recursos naturais não disponíveis e produtos não patenteados para aplicações farmacêuticas", informou então a embaixada americano na Argentina.
A publicação do documento assinado nesta quinta-feira é aguardada para conhecer os detalhes do pacto.
— Aço e carne —
A chancelaria argentina adiantou em comunicado que os Estados Unidos "eliminarão as tarifas recíprocas para 1.675 produtos argentinos".
Além disso, "concederão uma ampliação sem precedentes para 100 mil toneladas no acesso preferencial da carne bovina ao seu mercado", o que "permitirá incrementar em cerca de 800 milhões de dólares [R$ 4,2 bilhões] as exportações argentinas desse produto".
Washington também "ratificou seu compromisso de revisar oportunamente as tarifas sobre o aço e o alumínio", prosseguiu o comunicado.
A Presidência detalhou que o acordo será encaminhado ao Congresso local para análise e que Milei "confia que os legisladores compreendam a responsabilidade que têm pela frente para estar à altura dessa oportunidade sem precedentes".
O acordo-quadro alcançado em novembro havia despertado críticas da oposição: "Não aparece um único direito para a Argentina. Só há obrigações para nós e vantagens para eles. Não é bilateral: são todas imposições", afirmou então a senadora Cristina López, do peronismo (centro-esquerda).
— Alinhamento —
Milei mantém um firme alinhamento com os Estados Unidos de Donald Trump e, em outubro, recebeu de Washington uma linha de ajuda financeira de 20 bilhões de dólares (R$ 105 bilhões), um forte respaldo em meio a uma crise política e cambial antes das eleições legislativas, que seu partido venceu.
Na quarta-feira, ambos os países assinaram um acordo-quadro para o fornecimento de minerais críticos.
O convênio estabelece que os dois países promoverão "subsídios, garantias, empréstimos e investimentos de capital para impulsionar projetos de mineração e processamento" e que serão implementadas "medidas para agilizar os processos de obtenção de licenças", informou nesta quinta-feira a embaixada dos Estados Unidos na Argentina.
O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, havia afirmado na quarta-feira que a Argentina tem as capacidades necessárias para se tornar uma produtora de terras raras.
Os minerais e as terras raras tornaram-se um setor crítico para a fabricação de produtos tecnológicos, de telefones a computadores e satélites, e o governo de Donald Trump transformou essa busca por recursos em um de seus principais objetivos de política econômica externa.
O saldo do intercâmbio comercial com os Estados Unidos em 2025 foi superavitário para a Argentina (8,338 bilhões de dólares em exportações e 6,704 bilhões em importações). As principais vendas do país sul-americano concentraram-se nos setores de combustíveis e energia e de manufaturas de origem industrial.
S.Caetano--PC