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EUA pede negociações trilaterais com Rússia e China sobre não proliferação nuclear
Os Estados Unidos instaram, nesta sexta-feira (6), a negociações trilaterais com Rússia e China para estabelecer novos limites às armas nucleares, depois que na quinta-feira expirou um importante tratado com Moscou.
A China já rejeitou publicamente aderir às negociações de desarmamento "nesta etapa", enquanto a Rússia sugeriu que outros Estados com armas nucleares, como o Reino Unido e a França, também deveriam ser incluídos.
"O controle de armas não pode mais ser um assunto bilateral entre Estados Unidos e Rússia", escreveu o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em um artigo publicado na internet.
"Outros países têm a responsabilidade de ajudar a garantir a estabilidade estratégica, e nenhum mais do que a China", afirmou.
Thomas DiNanno, subsecretário de Estado americano para o controle de armas, apresentou um novo plano na Conferência de Desarmamento da ONU, no qual acusa o tratado Novo START, que expirou na quinta-feira, de ter "defeitos fundamentais".
Na sexta-feira, DiNanno afirmou que "as reiteradas violações da Rússia, o aumento dos arsenais em todo o mundo e as falhas no desenho e na aplicação do Novo START dão aos Estados Unidos um claro imperativo para pedir uma nova arquitetura que enfrente as ameaças de hoje, não as de uma época passada".
"O arsenal nuclear chinês, em sua totalidade, não tem limites, nem transparência (...) nem controle", acrescentou.
Ele também acusou Pequim de ter realizado, em particular em junho de 2020, testes nucleares e o Exército chinês de ter "tentado ocultar esses testes" usando um "método destinado a reduzir a eficácia da vigilância sísmica".
Segundo ele, a China "está a caminho de superar as 1.000 ogivas nucleares até 2030".
- "Tratado modernizado" -
A expiração do Novo START, que limitava Estados Unidos e Rússia a mobilizar 1.550 ogivas nucleares cada um, deixa o mundo sem um tratado sobre as armas mais destrutivas do planeta, o que despertou temores de uma nova corrida armamentista.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não aceitou uma proposta de seu homólogo russo, Vladimir Putin, para manter por mais um ano as restrições do Novo START e, na quinta-feira, pediu "um tratado novo, aprimorado e modernizado".
Rubio destacou que os Estados Unidos "negociarão a partir de uma posição de força".
"Rússia e China não deveriam esperar que os Estados Unidos fiquem de braços cruzados enquanto burlam suas obrigações e ampliam suas forças nucleares", escreveu Rubio.
"Manteremos uma dissuasão nuclear robusta, crível e modernizada. Mas faremos isso enquanto exploramos todos os caminhos para cumprir o desejo genuíno do presidente de um mundo com menos dessas armas terríveis", acrescentou.
Trump afirmou que quer retomar os testes nucleares pela primeira vez em décadas, embora até agora não tenha adotado essa medida.
- China no auge -
Rússia e Estados Unidos controlam juntos mais de 80% das ogivas nucleares do mundo.
No entanto, o arsenal nuclear da China está crescendo mais rapidamente do que o de qualquer outro país, a um ritmo de cerca de 100 novas ogivas por ano desde 2023, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo.
O representante adjunto da China junto ao escritório da ONU em Genebra, Shen Jian, reiterou a posição oficial de Pequim. Ele insistiu perante o organismo de desarmamento que "as capacidades nucleares da China estão muito longe do nível das dos Estados Unidos ou da Rússia".
"A China não participaria de negociações de desarmamento nuclear nesta etapa", sustentou. Ele insistiu que os "Estados que possuem os maiores arsenais nucleares devem continuar cumprindo suas responsabilidades" em matéria de desarmamento nuclear.
A Rússia, que não se considera sujeita aos limites do Novo START, estima que qualquer novo diálogo deveria incluir outros Estados com armas nucleares, como França e Reino Unido, segundo seu embaixador Gennadi Gatilov junto à Conferência de Desarmamento em Genebra.
O embaixador britânico, David Riley, pareceu descartar a ideia, insistindo em que "o Reino Unido mantém uma dissuasão nuclear mínima".
Por sua vez, a embaixadora francesa, Anne Lazar-Sury, afirmou que "todos os Estados com armas nucleares" deveriam ter como objetivo adotar medidas para "reduzir o risco de uso de armas nucleares".
B.Godinho--PC