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Irã desafia ameaças dos EUA e insiste em direito de enriquecer urânio
O Irã descartou, neste domingo (8), renunciar ao enriquecimento de urânio no âmbito de suas negociações com os Estados Unidos, mesmo em caso de "guerra" com este país, que mantém a pressão militar.
Após uma primeira rodada de negociações em Omã na sexta-feira, a qual ambos classificaram como positiva, os dois países citaram sua vontade de continuar o diálogo.
Mas o Irã mantém-se firme em suas linhas vermelhas, ao aceitar abordar apenas sobre seu programa nuclear, e enfatizando que tem direito de desenvolver energia nuclear para fins civis.
Os Estados Unidos, que mobilizaram uma ampla força militar no Golfo, exigem um acordo mais amplo, que inclua a limitação das capacidades balísticas do país e o fim de seu apoio a grupos armados hostis a Israel.
O ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, reafirmou neste domingo que Teerã não cederá à exigência de Trump de abrir mão do enriquecimento de urânio.
"Por que insistimos tanto no enriquecimento e nos negamos a renunciar a ele, mesmo se nos impuserem uma guerra? Porque ninguém tem o direito de ditar nosso comportamento", declarou o chanceler iraniano em um fórum em Teerã.
"Seu destacamento militar à região não nos assusta", acrescentou, referindo-se ao porta-aviões "USS Abraham Lincoln".
Indicou, sem maiores detalhes, que o Irã poderia considerar "uma série de medidas de confiança quanto ao programa nuclear", em troca da suspensão das sanções internacionais que asfixiam a economia iraniana.
Mas depois questionou a "seriedade" dos Estados Unidos para "iniciar negociações reais", durante uma coletiva de imprensa acompanhada pela AFP.
O Irã "avaliará o conjunto de sinais e decidirá sobre a continuidade das negociações", afirmou. Posteriormente, Araghchi disse que seu país está em consultas com "parceiros estratégicos", China e Rússia, sobre as negociações.
- Paz por meio da força -
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, viajará a Washington na quarta-feira para pedir ao presidente americano, Donald Trump, firmeza com Teerã.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, denunciou neste domingo "a tentativa do regime mais extremista do mundo de obter a arma mais perigosa do mundo", declarando que isto é um "perigo para a paz".
No sábado, o enviado americano, Steve Witkoff, visitou o porta-aviões Abraham Lincoln, destacado no Golfo, ocasião na qual destacou "a mensagem de paz por meio da força" do mandatário republicano.
Nas últimas semanas, Trump multiplicou as ameaças de intervenção militar no Irã, inicialmente em resposta à sangrenta repressão contra o movimento de protestos em janeiro e, depois, para pressionar Teerã com o objetivo de alcançar um acordo.
Após os diálogos de sexta-feira entre Witkoff, o genro de Donald Trump, Jared Kushner, e Araghchi — os primeiros desde os bombardeios americanos contra instalações nucleares iranianas em junho —, o presidente americano celebrou "conversas muito boas" e afirmou que continuariam "no começo da próxima semana".
As negociações "realizadas com o apoio de governos amigos da região constituem um passo à frente", declarou o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, no X neste domingo.
Na véspera, Araghchi disse ter acordado com Washington uma nova rodada de conversas "em breve" e indicou que ainda havia "um longo caminho para estabelecer a confiança", em entrevista à rede Al Jazeera.
Também reiterou que a questão das capacidades balísticas do Irã "nunca será negociável".
- Quase 7.000 mortos -
Os países ocidentais e Israel acusam o Irã de tentar dotar-se de armas nucleares, algo que Teerã nega.
O Irã e os Estados Unidos iniciaram negociações no ano passado, mas esbarraram na questão do enriquecimento de urânio e os diálogos ficaram paralisados devido à guerra de 12 dias desencadeada em junho por um ataque israelense contra o território iraniano.
Após a repressão ao movimento de protestos em janeiro, o presidente republicano voltou a ameaçar com uma intervenção.
A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA), com sede nos Estados Unidos, disse ter confirmado 6.961 mortos, em sua maioria manifestantes, e registrou mais de 51.000 detenções.
Em caso de ataque, o Irã advertiu que teria como alvo as bases americanas na região e poderia bloquear o estreito de Ormuz, ponto de trânsito fundamental para o abastecimento energético mundial.
G.M.Castelo--PC