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Israel anuncia medidas para aumentar controle sobre a Cisjordânia ocupada
O gabinete de segurança de Israel aprovou neste domingo (8) uma série de medidas voltadas a aumentar o controle sobre a Cisjordânia ocupada e abrir caminho para uma maior expansão dos assentamentos neste território palestino.
A Cisjordânia, que Israel ocupa desde 1967, constitui a maior parte do território de um potencial Estado palestino, mas a direita israelense tem como objetivo aumentar a presença de colonos nesta região.
"O gabinete de segurança aprovou hoje uma série de decisões [...] que modificam fundamentalmente a realidade jurídica e civil em Judeia e Samaria", um termo bíblico utilizado pela extrema direita israelense e por personalidades ultrarreligiosas para se referir à Cisjordânia.
As medidas foram anunciadas pelo ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, um político de extrema direita do partido Sionismo Religioso, e pelo titular da pasta de Defesa, Israel Katz.
A reforma inclui a eliminação das regulações vigentes há décadas que proíbem judeus de comprar terras na Cisjordânia, segundo um comunicado conjunto.
Smotrich afirmou que a medida tem como objetivo "enterrar a ideia de um Estado palestino".
Entre as decisões anunciadas está a transferência da autoridade sobre as permissões de construção para os assentamentos em partes de cidades palestinas, incluindo Hebron, dos órgãos municipais da Autoridade Palestina para Israel.
Em Ramallah, a Presidência Palestina — que exerce administração limitada em algumas áreas descontínuas — condenou o anúncio como uma tentativa de "anexar a Cisjordânia ocupada".
Para a Presidência Palestina, a decisão reflete "uma tentativa aberta de Israel de legalizar a expansão dos assentamentos, o confisco de terras e a demolição de propriedades palestinas, inclusive em áreas de soberania palestina".
Até hoje, qualquer mudança nas construções da comunidade judaica requeria a aprovação tanto do município local quanto das autoridades israelenses, reportou o jornal Times of Israel.
As novas medidas estabelecem que apenas será necessária a autorização de Israel.
O anúncio chega poucos dias antes da visita do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu aos Estados Unidos, onde se reunirá com o presidente Donald Trump, que se opõe à anexação da Cisjordânia.
Sem contar Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, mais de 500 mil israelenses vivem em assentamentos e postos avançados na Cisjordânia, considerados ilegais, segundo o direito internacional.
Neste território vivem cerca de três milhões de palestinos. A ONU informou que a expansão de assentamentos israelenses na Cisjordânia alcançou, em 2025, seu nível mais alto desde 2017, quando a organização internacional começou a coletar esses dados.
F.Santana--PC