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Rubio defende Europa forte que apoie visão de mundo de Trump
O secretário de Estado americano Marco Rubio procurou tranquilizar seus parceiros europeus neste sábado(14), afirmando que Washington deseja "revigorar" a relação transatlântica para que uma Europa "forte" possa ajudar os Estados Unidos a reformular a ordem mundial promovida pelo presidente Donald Trump.
O chefe da diplomacia americana adotou um tom conciliatório ao discursar na Conferência de Segurança de Munique, perante uma plateia de líderes europeus, traumatizados pela recente tentativa do presidente Donald Trump de anexar a Groenlândia.
"Não buscamos a separação, mas sim revigorar uma antiga amizade e renovar a maior civilização da história da humanidade", disse ele na Conferência de Segurança de Munique. "Queremos uma aliança revitalizada" e "queremos que a Europa seja forte", insistiu.
Em um discurso denso, Rubio criticou duramente a "imigração em massa", as políticas climáticas que "empobrecem nosso povo" e a "loucura" do livre comércio que desindustrializou a Europa e os Estados Unidos "em benefício de concorrentes e adversários".
Washington agirá "guiado por uma visão de um futuro tão orgulhosa, soberana e vital quanto o passado da nossa civilização", disse. "E embora estejamos preparados, se necessário, para fazê-lo sozinhos, preferimos e esperamos fazê-lo em conjunto com vocês, nossos amigos na Europa", acrescentou.
O secretário de Estado, de ascendência cubana e que exaltou sua herança espanhola, criticou duramente a imigração, dois meses após a nova estratégia de segurança nacional do governo Trump ter usado esse argumento para afirmar que a Europa enfrenta uma "extinção civilizacional".
"A imigração em massa" é "uma crise que está transformando e desestabilizando sociedades em todo o Ocidente", disse ele. Devemos "retomar o controle de nossas fronteiras", o que "não é xenofobia, não é ódio, é um exercício fundamental de soberania".
Cerca de 200 mil pessoas se manifestaram em Munique neste sábado contra o regime iraniano, segundo a polícia da cidade.
Os manifestantes seguiam para a Theresienwiese, uma grande praça, observou um jornalista da AFP, para exigir a queda da República Islâmica, após a repressão sangrenta aos protestos no país no mês passado.
- Críticas à ONU -
Rubio, por outro lado, criticou duramente a ONU, enquanto Washington promove seu Conselho da Paz, impulsionado por Trump, que convidou arbitrariamente dezenas de países e se autodeterminou poderes de resolução de conflitos.
"Não podemos ignorar que hoje, na maioria das questões mais urgentes, ela não tem respostas e praticamente não desempenhou nenhum papel", disse Rubio, que criticou a ONU por não deter os conflitos em Gaza e na Ucrânia ou o programa nuclear iraniano, alvo de ataques de Israel e dos Estados Unidos em junho de 2025.
Ele também afirmou que a instituição liderada por António Guterres nada fez diante da "ameaça à nossa segurança" representada, segundo ele, pelo "ditador narcoterrorista" venezuelano Nicolás Maduro, preso pelas forças americanas em 3 de janeiro sob acusações de tráfico de drogas.
O discurso de Rubio representou uma mudança em relação ao proferido um ano antes, no mesmo fórum, pelo vice-presidente JD Vance, que acusou os líderes europeus de colocarem em risco a segurança do continente com suas políticas de imigração e medidas regulatórias contra discursos extremistas e de ódio em plataformas americanas e redes sociais.
"Fiquei muito tranquila com o discurso do secretário de Estado", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, acrescentando que ele é "um bom amigo".
"A Europa não tem feito o suficiente há muitos anos", acrescentou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que prometeu contribuir para uma arquitetura de segurança comum para o continente.
"A Europa é um gigante adormecido", disse Starmer em seu discurso. "Temos enormes capacidades de defesa", continuou, "mas com planos industriais fragmentados, duplicação em algumas áreas e deficiências em outras. Tudo isso é altamente ineficiente".
Os membros europeus da Otan, com exceção da Espanha, concordaram na cúpula de junho em aumentar seus gastos militares com defesa para 5% do PIB nacional, atendendo à exigência de Trump de que o Velho Continente fizesse mais para se proteger.
- Ucrânia na mira -
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, reiterou seu apelo por uma entrega mais rápida de mísseis de defesa aérea, em discurso neste sábado a líderes de governo e chefes de defesa e inteligência.
"A maioria dos ataques tem como alvo nossas usinas de energia e outras infraestruturas críticas. Não há uma única usina de energia na Ucrânia que não tenha sido danificada por ataques russos", disse o presidente, que acusou seu homólogo, Vladimir Putin, de ser um "escravo da guerra" que não leva uma "vida normal".
Na sexta-feira, a Rússia anunciou uma nova rodada de negociações nos dias 17 e 18 de fevereiro em Genebra com representantes da Ucrânia e dos Estados Unidos para tentar encontrar uma saída para o conflito, que em breve completará cinco anos.
Rubio disse não saber se os russos "estão falando sério sobre acabar com a guerra".
Zelensky, que pede aos Estados Unidos e à Europa garantias de segurança para evitar outra invasão russa no futuro, afirmou estar pronto para "um acordo que traga paz verdadeira".
Na sexta-feira, da Casa Branca, Trump instou Zelensky a "se mexer" para acabar com a guerra. "A Rússia quer chegar a um acordo (...). Precisa agir", declarou o presidente americano.
Este encontro em Munique também antecipa um discurso por videoconferência neste sábado da ganhadora do Nobel da Paz de 2025, a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado.
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T.Vitorino--PC