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Trump lança ultimato de '10, 15 dias no máximo' para que Irã conclua acordo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, definiu nesta quinta-feira (19) um prazo de "10, 15 dias no máximo" para decidir se é possível um acordo com o Irã e advertiu que, caso contrário, "coisas ruins acontecerão".
Washington e Teerã, inimigos há mais de quatro décadas, retomaram o diálogo no início de fevereiro pela primeira vez desde a guerra de 12 dias de junho de 2025 e realizaram duas rodadas de conversas.
No entanto, ambos continuam trocando ameaças em um contexto de escalada militar: os Estados Unidos intensificaram seu desdobramento no Oriente Médio e o Irã realiza exercícios no mar de Omã junto à Rússia.
"Vamos conseguir um acordo ou será algo infeliz para eles", disse Trump aos jornalistas a bordo do Air Force One a caminho do estado da Geórgia (sudeste), em uma viagem dedicada à economia.
Questionado sobre o prazo para que a república islâmica chegasse a um acordo, Trump respondeu: "10, 15 dias no máximo".
Mais cedo nesta quinta-feira, Trump havia sugerido um prazo de 10 dias.
"Ao longo dos anos ficou demonstrado que não é fácil alcançar um acordo significativo com o Irã. Temos que fazer um acordo significativo, caso contrário coisas ruins acontecerão", afirmou Trump na reunião inaugural do "Conselho da Paz", sua iniciativa para garantir a estabilidade em Gaza.
Ele advertiu que Washington "pode ter que ir um passo além" se a via diplomática não produzir resultados, e acrescentou: "Vocês provavelmente saberão nos próximos 10 dias".
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, advertiu na quarta-feira que há "muitos motivos e argumentos que poderiam ser invocados para um ataque contra o Irã".
- "Nem sequer podem imaginar" -
Israel, aliado dos Estados Unidos e nêmesis do Irã, também lançou um novo alerta: "Se os aiatolás cometerem um erro e nos atacarem, receberão uma resposta que nem sequer podem imaginar", advertiu o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
O principal ponto de conflito é o programa nuclear iraniano.
Sob pressão, o Irã voltou a defender nesta quinta-feira "seu direito" ao enriquecimento de urânio para fins civis, especialmente para gerar energia.
"Nenhum país pode privar o Irã do direito de se beneficiar pacificamente dessa tecnologia", reafirmou o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Mohamad Eslami.
O Irã havia dito na quarta-feira que está "elaborando um marco" para avançar em suas negociações com Washington, retomadas em 6 de fevereiro com a mediação de Omã.
"Não queremos a guerra" -
Embora ambas as partes demonstrem vontade de continuar o diálogo, divergem sobre o conteúdo das discussões.
O Irã, que nega buscar a bomba atômica — como o acusam os países ocidentais e Israel —, quer limitar as conversas ao seu programa nuclear e exige o levantamento das sanções que asfixiam sua economia.
Mas para Washington, um acordo deve incluir um entendimento sobre seu programa de mísseis balísticos, bem como o fim do apoio do Irã a grupos armados hostis a Israel no Oriente Médio.
Trump multiplicou nas últimas semanas as ameaças de ataques, primeiro em reação à repressão nas últimas semanas por parte do poder iraniano a uma onda de protestos e, depois, para forçar um acordo.
As redes CNN e CBS informaram que o Exército dos Estados Unidos estava preparado para realizar ataques contra o Irã a partir deste fim de semana, embora o presidente americano ainda não tivesse tomado uma decisão.
Diante dessa "escalada de tensões sem precedentes", a Rússia pediu moderação.
O chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, reuniu-se na quarta-feira com o argentino Rafael Grossi, diretor-geral do Organismo Internacional de Energia Atômica (OIEA), encarregado de verificar o caráter pacífico das atividades nucleares do país.
O Irã havia suspendido sua cooperação com o organismo da ONU e restringido o acesso de seus inspetores às instalações afetadas após a guerra desencadeada por Israel no ano passado, durante a qual os Estados Unidos bombardearam instalações nucleares iranianas.
"Não queremos a guerra (...) Mas se quiserem tentar nos impor sua vontade (...) deveríamos aceitá-la?", declarou o presidente iraniano, Masud Pezeshkian.
E.Borba--PC