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Trump prepara contra-ataque em seu discurso à nação após revés na Suprema Corte
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentará lançar um contra-ataque em seu discurso sobre o Estado da União ao Congresso nesta terça-feira (24), após um grande revés para suas políticas tarifárias determinado pela Suprema Corte.
Trump promete um discurso desafiador e "longo", em suas próprias palavras, para refutar aqueles que afirmam que sua estrela começou a se apagar.
O presidente também quer dar ao seu discurso um tom histórico, no ano do 250º aniversário da independência dos Estados Unidos, que promete uma grande celebração em 4 de julho, de acordo com a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt.
"Haverá alguns momentos emocionantes e comoventes, como houve no ano passado, e alguns momentos mais leves", disse Leavitt à Fox News nesta terça-feira.
O discurso está marcado para começar às 23h00 de Brasília e promete provocar um debate acalorado no plenário.
- Uma "era de ouro" que nunca chega -
Há um ano, Trump prometeu o início de uma "era de ouro" para seu país, frustrado pela inflação persistente, pela divisão política e pela crescente sombra da China.
Trump imprimiu um ritmo frenético ao seu segundo e último mandato, com golpes espetaculares no exterior, como a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, e negociações difíceis, como o precário cessar-fogo em Gaza.
Mas o presidente republicano chegou ao poder principalmente com o slogan "Estados Unidos primeiro", e essa promessa ainda não se concretizou.
O crescimento econômico em 2025, de 2,2%, foi menor que o do ano anterior; a inflação permanece alta (2,9% em dezembro, na comparação anual) e apenas o emprego apresenta um bom ritmo.
Há um ano, Trump decidiu apostar boa parte de sua agenda econômica nas tarifas.
A Suprema Corte acaba de derrubar essa política, que Trump justificou como uma "emergência nacional", e lembrou ao presidente que, se quiser alterar as tarifas, precisa pedir a colaboração do Congresso, onde as negociações com os democratas estão bloqueadas.
Trump declarou-se "envergonhado" e acusou os seis juízes da Suprema Corte que votaram contra suas tarifas de serem "vendidos".
- Ausências e estrelas -
Uma parte da bancada democrata no Congresso estará ausente do tradicional discurso anual, insatisfeita com as políticas de imigração linha-dura do presidente.
O Congresso retorna às sessões nesta terça-feira sem ter resolvido o impasse sobre o financiamento do Departamento de Segurança Interna.
No centro das negociações entre republicanos e democratas estão as agências de imigração, que podem continuar operando por enquanto porque seu orçamento foi aprovado no ano passado.
Os democratas exigem mudanças na forma como os agentes federais operam, como não cobrir o rosto e apresentar ordens judiciais, o que Trump parece não estar disposto a conceder.
As pesquisas mostram resultados mistos em relação a Trump. Os principais índices de opinião indicam menos de 50% de aprovação, mas seus apoiadores permanecem firmes, enquanto os eleitores democratas parecem estar novamente mobilizados.
Se as eleições de meio de mandato, que renovarão parcialmente o Congresso em novembro deste ano, resultarem em uma vitória democrata, Trump enfrentará um final de mandato difícil.
No entanto, o republicano já demonstrou no passado que sabe como se reinventar em momentos de adversidade.
Os democratas convidaram vítimas do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein para o discurso do presidente, que ordenou a divulgação de milhões de documentos, mas ainda não conseguiu se livrar da sombra do escândalo.
Trump respondeu convidando a seleção masculina de hóquei, que fez história no último fim de semana nos Jogos Olímpicos de Inverno ao derrotar o Canadá e conquistar a medalha de ouro.
P.L.Madureira--PC