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Rússia afirma não ter 'prazos' para acabar com guerra na Ucrânia
A Rússia afirmou, nesta quinta-feira (26), que não tem "prazos" para chegar a um acordo que ponha fim à guerra de quatro anos na Ucrânia, pouco antes de uma reunião em Genebra para preparar uma nova rodada de negociações.
Negociadores russos e ucranianos viajaram a Genebra para conversas separadas com autoridades americanas.
Este encontro faz parte de um tenso processo de negociação liderado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma tentativa de pôr fim ao pior conflito armado na Europa desde a Segunda Guerra Mundial, que deixou centenas de milhares de mortos e feridos, milhões de ucranianos deslocados para o exterior e destruição generalizada.
Diversas rodadas de negociações não conseguiram produzir um acordo. Moscou insiste em exigências territoriais e políticas inflexíveis que Kiev rejeitou por considerá-las equivalentes à rendição.
"Vocês ouviram algo nosso sobre prazos? Nós não temos prazos, temos tarefas. E estamos cumprindo-as", declarou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, segundo agências de notícias estatais.
O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, também afirmou ser muito cedo para fazer "previsões".
"Seria um grande erro tentar definir qualquer tipo de fase ou fazer qualquer tipo de previsão agora. Não quero cometer esses erros", disse ele à mídia estatal.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou repetidamente que uma reunião com seu homólogo russo, Vladimir Putin, é necessária para chegar a um acordo sobre questões-chave, como o destino do território no leste da Ucrânia que a Rússia deseja controlar.
Peskov reiterou nesta quinta-feira que Moscou não aceitará uma cúpula presidencial até que as negociações estejam concluídas, e somente então assinará um acordo alcançado entre as equipes de negociação.
- Mais ataques russos -
O encontro na Suíça foi precedido por mais uma noite de ataques russos na Ucrânia e pela troca de restos mortais de soldados mortos em combate.
A Rússia anunciou ter entregado mil corpos de soldados ucranianos a Kiev em troca dos restos mortais de 35 militares russos.
Moscou disparou cerca de 420 drones e 39 mísseis contra o país vizinho, deixando dezenas de feridos, incluindo crianças, anunciou Zelensky na rede X. A maioria dos mísseis foi interceptada, mas causaram danos a infraestruturas cruciais e edifícios residenciais em oito regiões, especificou ele.
Em Kiev, jornalistas da AFP ouviram explosões no meio da noite durante os ataques aéreos russos.
Esses bombardeios ocorreram antes do encontro em Genebra entre o negociador ucraniano Rustem Umyerov e os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump.
Na noite de quarta-feira, Zelensky e Trump conversaram por telefone durante 30 minutos sobre a reunião em Genebra e os preparativos para novas negociações trilaterais, agendadas para o "início de março", segundo o presidente ucraniano.
O assessor econômico do Kremlin, Kirill Dmitriev, também tem uma reunião marcada com Witkoff e Kushner em Genebra, de acordo com uma fonte citada na quarta-feira pela agência de notícias estatal russa Tass.
Zelensky afirmou no início de fevereiro que Moscou, por meio de Dmitriev, propôs a Washington a retomada da cooperação econômica e a assinatura de acordos de cooperação no valor de centenas de bilhões de dólares.
As negociações, baseadas em um plano americano apresentado no final do ano passado, estão paralisadas principalmente devido à situação no Donbass, a região industrial no leste da Ucrânia que tem sido o epicentro dos combates.
A Rússia insiste em obter o controle total da região de Donetsk, no leste da Ucrânia, e ameaçou tomá-la à força caso Kiev não ceda na mesa de negociações. A Ucrânia se opõe e se recusa a assinar um acordo sem garantias de segurança que impeçam a Rússia de invadi-la novamente.
J.Pereira--PC