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Tripulante de lancha morto em Cuba queria acender 'faísca' de um levante, diz aliado
Michel Ortega Casanova, um dos quatro tripulantes de uma lancha mortos em uma troca de tiros com a guarda-costeira cubana, queria "ir combater" em Cuba e ver "se isso acendia a faísca e o povo se levantava", disse à AFP, nesta quinta-feira (26), um companheiro de militância política.
O governo cubano denunciou, na quarta-feira, que a lancha interceptada em águas territoriais da ilha transportava pessoas "armadas" que pretendiam realizar uma "infiltração com fins terroristas".
O objetivo de Ortega Casanova "era ir combater uma narcotirania criminosa e assassina, ver se isto acendia a faísca e o povo se levantava e os apoiava", disse por telefone à AFP Wilfredo Beyra, dirigente em Tampa do Partido Republicano de Cuba, organização opositora com sede na Flórida, à qual pertencia o falecido.
"Eu o tinha advertido que não era o momento de fazer esse tipo de ações pela liberdade de Cuba, que era preciso esperar", acrescentou.
Dez pessoas viajavam na lancha. Ortega Casanova, um caminhoneiro de 54 anos, segundo a imprensa americana, foi o único dos quatro mortos identificado pelas autoridades cubanas, que também difundiram o nome dos seis feridos.
Beyra, que conhecia Ortega Casanova havia quatro ou cinco anos, falou com ele pela última vez há cerca de dez dias.
"Na Flórida, vários grupos manifestam abertamente que estão dispostos, treinando militarmente, a lutar pela liberdade de sua pátria. E Michel era de um desses grupos", afirmou.
Sobre a data para entrar em ação, Beyra disse que Ortega Casanova havia lhe dito "que podia ser em qualquer momento".
Beyra conhece, ainda, uma pessoa da lista de feridos, Leordan Enrique Cruz Gómez, com quem participou de um ato político em Miami há um ano.
Desde então, manteve contato com ele através de telefonemas e mensagens, a última delas dez dias atrás.
Na quarta-feira, o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, anunciou a abertura de uma investigação judicial sobre o ocorrido, ao assegurar que "o governo cubano não é de confiança".
As tensões entre Washington e Havana se intensificaram nas últimas semanas, em meio ao embargo petroleiro imposto pelo presidente americano, Donald Trump.
G.Teles--PC