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Equador expulsa embaixador de Cuba e toda a missão diplomática
O governo do Equador expulsou, nesta quarta-feira (4), o embaixador de Cuba em Quito, Basilio Gutiérrez, e lhe deu um prazo de 48 horas para deixar o país junto com toda a sua missão diplomática, informou a chancelaria.
O presidente Daniel Noboa é um aliado próximo na região de seu par americano Donald Trump, cujo governo endureceu as medidas de bloqueio contra Cuba. Na terça-feira, o Equador ordenou o fim das funções do embaixador José María Borja em Havana.
Sem detalhar os motivos, a chancelaria equatoriana declarou Gutiérrez persona non grata e concedeu "um prazo de 48 horas [...] para que o embaixador e todos os funcionários dessa Missão Diplomática abandonem o território nacional", segundo um comunicado.
A expulsão ocorre a poucos dias da reunião que Trump terá com os governantes de Argentina, Paraguai, Bolívia, El Salvador, Equador e Honduras em Miami, em 7 de março.
Um jornalista da AFP observou vários militares fortemente armados e policiais caminhando pelos arredores da embaixada cubana em Quito.
Segundo o comunicado, o Equador ampara sua decisão na Convenção de Viena, que permite a um Estado declarar persona non grata um membro do pessoal diplomático "a qualquer momento e sem ter de expor os motivos de sua decisão".
O Ministério das Relações Exteriores de Cuba, por sua vez, classificou a decisão do governo equatoriano como um "ato hostil" que "não parece casual" no momento em que os Estados Unidos aumentam a pressão e sanções contra a ilha comunista.
"Trata-se de um ato hostil e sem precedentes, que prejudica significativamente as relações históricas" entre os dois países, afirma a nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores cubano.
"Não parece casual que tenha sido tomada em um contexto caracterizado pelo incremento da agressão dos Estados Unidos contra Cuba e das fortes pressões do governo desse país a Estados terceiros para aderirem a essa política", acrescenta a diplomacia cubana.
Noboa publicou um vídeo curto na rede social X no qual é possível ver um homem no terraço do edifício onde funciona a embaixada queimando papéis.
"Churrasco de papéis", escreveu o mandatário, sem dar mais detalhes.
A relação entre Washington e Quito se fortaleceu desde 2023, quando Noboa assumiu o poder. Os dois países mantêm cooperação em matéria de segurança e inteligência para o combate ao tráfico de drogas.
Trump disse no final de fevereiro que estuda uma "tomada de controle amistosa" de Cuba, enquanto impõe, desde o início do ano, um bloqueio energético à ilha comunista, localizada a apenas 150 km da costa da Flórida.
Washington considera Cuba uma "ameaça excepcional" para a segurança nacional dos Estados Unidos.
Nogueira--PC