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Petróleo dispara e bolsas voltam a cair com impacto da guerra no Oriente Médio
Os preços do petróleo subiram com força nesta quinta-feira (5) e as bolsas voltaram a operar em queda devido aos temores sobre o impacto na economia da intensificação do conflito no Oriente Médio.
Os preços do petróleo e do gás caíram na véspera, mas nesta quinta-feira os dois principais indicadores do petróleo avançaram com força. Por volta das 14h em Brasília, o preço do barril West Texas Intermediate (WTI) subia 6,04%, para 79,17 dólares.
O barril de Brent do mar do Norte avançava 3,71%, para 84,42 dólares.
Essa escalada dos preços alimenta temores de um surto de inflação e reduz as expectativas de um corte das taxas de juros.
Patrick O'Hare, analista da Briefing.com, explicou que o aumento dos preços do petróleo foi impulsionado por "relatos não confirmados de que o Irã atacou um petroleiro diante da costa do Iraque" e por dados que indicam que a atividade no Estreito de Ormuz continua praticamente paralisada.
As bolsas na Ásia fecharam em alta. No entanto, essa tendência foi revertida, as bolsas europeias operaram em queda desde a abertura e encerraram com perdas acentuadas.
Paris caiu 1,49%, Londres 1,45% e Frankfurt 1,61%. Madri recuou 1,38% e Milão 1,61%.
O humor dos investidores é o mesmo nos Estados Unidos. Em Wall Street, os principais indicadores abriram em queda: o Dow Jones cedia 0,53%, o Nasdaq 0,20% e o índice S&P 500 0,19%.
- Economia mundial "à prova mais uma vez" -
A guerra no Oriente Médio está colocando "à prova mais uma vez" a resiliência econômica mundial, afirmou nesta quinta-feira em Bangcoc a diretora do FMI, Kristalina Georgieva.
"Se este conflito se prolongar, é evidente que poderá afetar os preços mundiais da energia, a confiança dos mercados, o crescimento e a inflação, e impor novas exigências aos responsáveis pelas políticas em todo o mundo", afirmou Georgieva durante uma conferência.
A consultoria Kpler informou na quarta-feira que o trânsito de petroleiros pelo Estreito de Ormuz caiu 90% em uma semana.
A incerteza sobre a duração da guerra também pesa sobre os mercados, e a empresa de navegação dinamarquesa Maersk anunciou que suspenderá as reservas no Golfo até novo aviso.
Os mercados asiáticos fecharam em alta, aproveitando a tendência positiva da véspera em Wall Street.
Na Bolsa de Seul, o índice Kospi fechou com alta de 9,63%, uma recuperação espetacular após uma queda histórica de 12% na véspera, em um mercado em pânico com as repercussões do conflito e a alta dos preços da energia.
O susto foi de tal magnitude que o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, ordenou a ativação de um fundo de estabilização do mercado de 68 bilhões de dólares (R$ 350,13 bilhões), que, segundo ele, "prevenirá a instabilidade" nos mercados de capitais.
"A escalada da crise no Oriente Médio está piorando significativamente o ambiente econômico e de segurança mundial", afirmou o presidente.
O índice japonês Nikkei também avançou e fechou com alta de 1,9%, após perder 3,61% na quarta-feira.
As bolsas chinesas também subiram (Hong Kong 0,3% no fechamento e Xangai 0,6%), depois de anunciado o objetivo de crescimento para este ano - entre 4,5% e 5% -, o mais modesto em três décadas.
F.Ferraz--PC