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Irã arremete contra vizinhos do Golfo e ignora advertência dos EUA
O Irã lançou neste sábado mísseis e drones contra seus vizinhos do Golfo que abrigam bases americanas, e afirmou que não vai se render, apesar das ameaças do presidente Donald Trump de intensificar seus ataques.
No oitavo dia de guerra, Israel e Estados Unidos voltaram a bombardear o Irã. Um dos ataques causou um incêndio em um aeroporto de Teerã.
O Exército israelense afirmou hoje que já realizou cerca de 3.400 ataques em território iraniano desde o começo da guerra, e que iniciou uma nova "onda de ataques" em Teerã.
A república islâmica mostrou que mantém sua capacidade de resposta miltar. Sirenes e explosões foram ouvidas em Jerusalém e em cidades do Golfo, como Dubai, Manama e Riade.
O Aeroporto Internacional de Dubai suspendeu suas operações por alguns minutos e retomou parcialmente os voos após uma interceptação de projéteis. O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes afirmou que o Irã lançou 15 mísseis e 119 drones contra o seu território neste sábado.
A Arábia Saudita informou que interceptou um míssil lançado contra uma base aérea com militares americanos, e a Jordânia acusou o Irã de atacar "instalações vitais" em seu território.
Teerã também anunciou que atingiu com mísseis uma base militar dos Estados Unidos no Bahrein, em resposta a um ataque contra uma planta iraniana de dessalinização de água.
Em discurso transmitido pela TV, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, pediu desculpas aos vizinhos do Golfo e prometeu que eles não serão atacados, "a menos que um ataque seja lançado contra o Irã a partir desses países".
Pezeshkian adotou um tom desafiador perante Donald Trump, que exigiu na véspera a "rendição incondicional" de Teerã para encerrar a guerra: "Os inimigos levarão para o túmulo seu desejo de que o povo iraniano se renda."
- Desastre humanitário -
A onda de ataques israelenses lançada na madrugada deste sábado foi uma das mais intensas desde o início da guerra, há uma semana. Entre os alvos estavam uma academia militar, um centro de comando subterrâneo e um depósito de mísseis.
Outro alvo dos bombardeios foi o aeroporto internacional de Mehrabad, um dos dois da capital iraniana, que sofreu um grande incêndio.
"Hoje, o Irã será atingido com muita força!", publicou Trump em sua plataforma, Truth Social. "Sob séria consideração para a destruição completa e morte certa, por causa do mau comportamento do Irã, estão áreas e grupos de pessoas que não eram considerados como alvos até este momento", ameaçou.
A guerra teve início em 28 de fevereiro, com uma campanha conjunta de bombardeios israelenses e americanos ao Irã, acusado de tentar desenvolver armamento atômico e de ameaçar Israel e os Estados Unidos com seu arsenal de mísseis.
Desde então, o conflito estendeu-se ao restante do Golfo, Líbano, Chipre, Azerbaijão, Turquia e à costa do Sri Lanka, onde um submarino americano torpedeou uma fragata iraniana.
No Irã, os danos a edifícios residenciais e à infraestrutura aumentavam. Moradores da capital vivem atentos à grande presença de agentes das forças de segurança nas ruas.
"Não acredito que alguém que não tenha vivido uma guerra possa compreender", disse à AFP um professor de 26 anos de Teerã, que pediu para não ser identificado.
O Ministério da Saúde iraniano afirmou ontem que os ataques israelenses e americanos mataram 926 civis e deixaram quase 6.000 feridos. A AFP não pôde verificar os números de forma independente.
No Líbano, arrastado para a guerra na segunda-feira, quando o Hezbollah disparou projéteis contra Israel, o primeiro-ministro Nawaf Salam advertiu que o país está próximo de um "desastre humanitário". No total, cerca de 300 pessoas morreram nesta semana em bombardeios de Israel e mais de 454 mil tiveram que abandonar suas casas, segundo autoridades libanesas.
- Ataque a petroleiros -
A guerra também afeta o tráfego marítimo, devido ao fechamento de fato do Estreito de Ormuz, por onde, em um período normal, transita 20% do petróleo e do gás liquefeito consumidos em todo o planeta.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou neste sábado que atacou dois petroleiros no Golfo, um deles com bandeira das Ilhas Marshall. As duas ações utilizaram drones, segundo o exército ideológico da República Islâmica.
Donald Trump prometeu ontem ajudar a reconstruir a economia iraniana se Teerã nomear alguém "aceitável" como sucessor de Khamenei. O país é governado interinamente por um triunvirato composto pelo presidente Pezeshkian, pelo chefe do Judiciário e pelo líder religioso membro da Assembleia de Especialistas e do Conselho dos Guardiões da Constituição, Alireza Arafi.
Amir Saeid Iravani, embaixador do Irã na ONU, afirmou que Washington não terá qualquer papel na escolha do próximo líder supremo, figura com mais poder do que o presidente em Teerã e que tem a palavra final em questões de política externa.
burs/avl/dbh/fp-lb
T.Batista--PC