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Cotação do petróleo dispara após eleição do filho de Khamenei como novo líder do Irã
Os preços do petróleo dispararam nesta segunda-feira (9) com a guerra no Oriente Médio e nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder do Irã, em sucessão ao pai, que morreu no primeiro dia de ataques dos Estados Unidos e de Israel à República Islâmica.
O Irã respondeu aos bombardeios, iniciados em 28 de fevereiro, com ataques contra os vizinhos do Golfo, em particular contra as bases militares americanas e interesses econômicos de Washington na região.
Um bombardeio iraniano provocou um incêndio nesta segunda-feira na instalação petrolífera de Al Ma'ameer, no Bahrein, segundo a imprensa local.
Os ataques contra infraestruturas do setor de energia, o bloqueio em vigor no Estreito de Ormuz — por onde transita 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo — e o temor pela estabilidade na região provocam pânico nos mercados.
As Bolsas europeias abriram em queda: Paris recuava 2,59%; Frankfurt 2,47% e Londres 1,57%. Na Ásia, Tóquio perdeu 5,2% e Seul cedeu 5,96%.
O barril de petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência americana do mercado, chegou a superar a cotação de 118 dólares (623 reais) nas primeiras negociações, o maior valor desde 2022, quando os preços dispararam com a invasão da Rússia ao território da Ucrânia.
Desde o início da guerra, o preço do barril de WTI subiu 70%, o que nunca havia sido registrado em um período tão curto.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentou relativizar o cenário e afirmou que o aumento é um "pequeno preço a pagar" para eliminar a ameaça do programa nuclear iraniano.
- "Apoio inabalável" da Rússia -
Sob intensos bombardeios, a República Islâmica anunciou a nomeação de Mojtaba Khamenei, um religioso de 56 anos considerado próximo aos conservadores por seus vínculos com a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, como novo guia supremo.
Ele foi escolhido pela Assembleia de Especialistas, integrada por 88 membros, como sucessor de seu pai, Ali Khamenei, assassinado no primeiro dia de ataques dos Estados Unidos e de Israel.
Trump, que na semana passada já havia demonstrado sua discordância com uma possível sucessão de pai para filho, alertou antes do anúncio oficial que o novo líder não duraria "muito tempo" sem a sua aprovação.
Israel também afirmou na semana passada que o novo guia supremo seria um "alvo".
Apesar da pressão, a Assembleia de Especialistas afirmou que não hesitou "nem por um minuto" em tomar a decisão, celebrada pelos rebeldes huthis do Iêmen, aliados de Teerã, e por facções armadas iraquianas pró-Irã.
A imprensa oficial iraniana divulgou imagens de pessoas comemorando em todo o país, com bandeiras da República Islâmica. Milhares de pessoas se reuniram na praça Enghelab de Teerã para expressar lealdade ao novo guia supremo.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, ofereceu "apoio inabalável" a Mojtaba Khamenei e a China expressou oposição a qualquer ação estrangeira contra o novo dirigente.
- "Continuem com o jogo" -
Em um cenário de tensão crescente, o Irã acusou alguns países europeus de terem contribuído para criar as condições que possibilitaram a ofensiva militar israelense-americana.
Segundo o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baqai, o apoio europeu à retomada de sanções contra Teerã na ONU "encorajou" Estados Unidos e Israel.
Nenhuma parte demonstra vontade de conciliação.
Em uma entrevista ao jornal Times of Israel, Trump afirmou no domingo que qualquer decisão sobre o fim da guerra seria tomada em conjunto com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, de forma "mútua".
"Se podem tolerar que o petróleo supere 200 dólares por barril, continuem com esse jogo", declarou o porta-voz do comando militar central do Irã, Ebrahim Zolfaghari.
Nesta segunda-feira, o Irã prosseguiu com os ataques contra Israel, onde as equipes de emergência relataram um morto e dois feridos no centro do país, e contra outros países da região.
No Bahrein, 32 civis ficaram feridos em um ataque de drone iraniano em Sitra, segundo o Ministério da Saúde.
A Arábia Saudita informou que interceptou quatro drones que seguiam para o campo de petróleo de Shaybah, no sudeste, que já havia sido atacado no domingo.
Por sua vez, o Exército israelense anunciou "uma nova onda de ataques" contra áreas de lançamento de mísseis, centros de comando da Guarda Revolucionária e da polícia, além de uma fábrica de motores de foguetes.
No domingo, as forças do país bombardearam depósitos de combustível em Teerã, ataques que mergulharam a cidade na escuridão em pleno dia.
Na frente de batalha do Líbano, as forças israelenses afirmaram que retomaram os bombardeios contra "infraestruturas" do movimento islamista pró-iraniano Hezbollah, em Beirute.
Durante a noite, combatentes do movimento xiita enfrentaram helicópteros israelenses no leste do país, perto da fronteira com a Síria.
burx-dla/anb/mas-jvb/dbh/fp/aa
S.Pimentel--PC