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Guerra no Oriente Médio faz petróleo disparar e gera perdas nas bolsas
A escalada dos preços do petróleo acima dos 100 dólares o barril impactou fortemente os mercados e as bolsas operam com perdas nesta segunda-feira (9), devido ao temor de que a prolongação da guerra no Oriente Médio gere um surto inflacionário.
Os preços do petróleo subiram acima dos 100 dólares o barril pela primeira vez desde 2022, quando o início da guerra na Ucrânia provocou uma forte alta da commodity.
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o Irã responde aos bombardeios israelenses-americanos com ataques contra as instalações petroleiras de países do Oriente Médio.
No domingo, o presidente americano, Donald Trump, relativizou a alta das cotações de petróleo, a qual considerou um "pequeno preço a pagar" para eliminar a "ameaça" do programa nuclear iraniano.
Após o anúncio da nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã, sucedendo ao seu pai, Teerã lançou uma nova salva de mísseis contra Israel e vários países petroleiros do Golfo.
O petróleo subiu até 30% durante as operações na Ásia, e por volta das 13h30 GMT (10h30 de Brasília), o West Texas Intermediate (WTI) operava em alta de 9,6%, a 102,23 dólares o barril e o barril de Brent do Mar do Norte registrava alta de 10,3%, a 99,61 dólares.
Mesmo após a invasão russa da Ucrânia, em 2022, quando o petróleo atingiu um nível de 130,50 dólares o barril, a alta dos preços não foi tão vertiginosa.
"As ações hoje operam no vermelho", afirmou Kathleen Brooks, diretora de pesquisas da XTB.
As bolsas europeias abriram com quedas pronunciadas, mas no meio do dia reduziram as perdas pela perspectiva de que os países do G7 recorram de forma coordenada às suas reservas para conter a escalada dos preços.
Uma fonte do governo francês confirmou que esta opção será debatida em uma videoconferência dos ministros das Finanças do grupo, porém mais tarde o titular da pasta no governo francês, Roland Lescure, afirmou que ainda não há um consenso para usar esta estratégia.
Por volta das 13h40 GMT (10h40 de Brasília), a Bolsa de Paris operava em baixa de 1,56%, enquanto Frankfurt recuava 1,14%, Londres perdia 0,76%, Milão registrava queda de 1,01% e Madri, de 1,58%.
Em Wall Street a tendência se confirmou e, após as primeiras operações, o Dow Jones operava em baixa de 1,23%; o Nasdaq, de 0,95%, e o índice S&P 500 registrava queda de 1,08%.
Os ministros das Finanças do G7 se reuniram em um momento em que o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto do petróleo mundial, está quase paralisado desde o início da guerra no Oriente Médio.
Nos últimos dias foram registrados ataques contra campos de petróleo do sul do Iraque e da região autônoma curda do norte iraquiano, o que obrigou reduzir a produção.
Emirados Árabes Unidos e Kuwait também reduziram a produção em meio aos ataques iranianos contra seus territórios.
- "Riscos de estagflação" -
Os investidores estão preocupados de que uma alta nos preços da energia produza um surto inflacionário e prejudique o crescimento da economia.
"A alta do preço do petróleo está aumentando significativamente os riscos de estagflação para a economia mundial e poderia desencadear uma venda maciça mais profunda nos mercados acionários mundiais", afirmou Lee Hardman, analista da MUFG.
A estagflação é um período de inflação alta e estagnação econômica. Neste contexto, os bancos centrais se sentem obrigados a elevar as taxas de juros para controlar a inflação e isto repercute no crescimento.
Na Ásia, as bolsas fecharam com fortes baixas e a praça de Seul, que este ano tinha tido um rendimento sólido apoiado em suas empresas tecnológicas, fechou nesta segunda-feira em baixa de 5,96%, enquanto a de Tóquio recuou 5,2%.
Também foram registradas fortes quedas nas bolsas de Hong Kong, Xangai, Taipé, Sydney, Singapura, Manila e Wellington.
Nogueira--PC