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Mais de 40 presos morreram em presídios de Cuba entre 2025 e 2026, denunciam ONGs
Pelo menos 46 pessoas, entre elas uma presa durante os protestos antigovernamentais de cinco anos atrás em Cuba, morreram entre 2025 e 2026 no cárcere por falta de assistência médica, denunciou uma coalizão de organizações civis na terça-feira (10).
Em 11 de julho de 2021, milhares de cubanos saíram às ruas aos gritos de "temos fome" e "abaixo a ditadura", em protestos inéditos desde a revolução de 1959, que deixaram um morto, dezenas de feridos e centenas de detidos.
Um levantamento elaborado entre janeiro de 2025 e os primeiros dias de março mostra que 46 presos morreram nos presídios cubanos por "negação ou atraso deliberado no atendimento" médico, afirmou a diretora da organização de defesa dos direitos humanos Justiça 11J, Camila Rodríguez.
A denúncia foi apresentada em uma audiência durante o período de sessões da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), realizado na Cidade da Guatemala.
Rodríguez explicou à AFP que quatro dos mortos eram presos políticos, inclusive um capturado durante os protestos, enquanto os outros 42 tinham sido presos por crimes comuns.
Os detentos morreram nas prisões ou em hospitais para os quais foram transferidos "quando sua condição já era irreversível", acrescentou Rodríguez. Ela explicou que os dados correspondem a um monitoramento de grupos da sociedade civil.
Os 46 mortos fazem parte de um total de 294 detentos que tiveram negado o atendimento médico desde 2025, detalhou.
"Não temos conhecimento de investigações independentes, nem de agentes penitenciários que tenham sido responsabilizados por estas mortes sob custódia estatal", afirmou a ativista.
O representante da Anistia Internacional (AI), Cristhian Jiménez, declarou que a privação de liberdade em Cuba continua sendo "uma ferramenta sistemática de castigo contra aqueles que exercem direitos humanos como a liberdade de expressão, de reunião pacífica, de associação e de protesto".
Jiménez acrescentou que a soltura de mais de 500 presos há um ano "se tratou de um mecanismo profundamente marcado por ambiguidades, discricionalidade política e falta de transparência", e que seis pessoas voltaram a ser detidas, entre elas várias consideradas "presas de consciência" pela AI.
"Hoje, um ano depois, a realidade é inequívoca. A repressão em Cuba continua", lamentou.
Também participaram da audiência delegados do Centro de Documentação de Prisões Cubanas, Programas de Associação Civil e a Iniciativa para a Investigação e a Incidência, entre outras.
V.Fontes--PC