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Mísseis e explosões: marinheiro relata cotidiano em navio bloqueado no Golfo
"Estou preocupado", afirmou à AFP nesta sexta-feira (13) um marinheiro retido no Golfo, cujo navio não consegue atravessar o Estreito de Ormuz, bloqueado há quase duas semanas após os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
"Do navio, consigo ver lançamentos de mísseis todos os dias, ouvir explosões, e me sinto em perigo", declarou Wang Shang, de 32 anos.
Cidadão chinês originário da província central de Henan, sem saída para o mar, ele trabalha em um navio estrangeiro usado para transportar gás liquefeito de petróleo proveniente dessa região rica em energia.
Desde que a navegação de entrada e saída do Golfo praticamente parou, Wang compartilha suas experiências publicando vídeos no Douyin, versão chinesa do TikTok. "Por enquanto, não podemos ir embora. Se quiséssemos partir, seria impossível", diz.
Um vídeo de 28 de fevereiro — dia em que Estados Unidos e Israel lançaram a guerra — mostra o receptor do navio enquanto autoridades iranianas declaram o estreito fechado.
"Atenção a todos os navios, aqui é a Marinha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. Para sua informação, o Estreito de Ormuz está... toda navegação pelo Estreito de Ormuz está proibida a partir de agora", adverte uma voz em tom severo.
A AFP não divulga o nome do navio de Wang a seu pedido.
- Situação não melhorará logo -
Os dados de rastreamento de navios coincidem com sua descrição da localização em águas a aproximadamente 30 milhas náuticas ao norte de Dubai.
"Estou preocupado porque ontem a casa de máquinas de um navio foi atingida por um drone iraniano a apenas duas milhas náuticas da minha embarcação, ou seja, aproximadamente 3.600 metros, o que é muito perto", comentou.
A AFP não pôde verificar de forma independente a causa do incidente. Wang afirmou que o navio foi atingido antes do amanhecer de quinta-feira.
Ele gravou um vídeo da embarcação já com luz do dia, com fumaça preta ainda saindo de um dos lados. Também relatou à AFP que o navio afetado é o "Source Blessing", um porta-contêineres com bandeira da Libéria.
A operadora alemã Hapag Lloyd informou na quinta-feira que o "Source Blessing" pegou fogo após ter sido "atingido por estilhaços" durante a noite, e acrescentou que ninguém ficou ferido.
Um porta-voz da empresa indicou que a companhia "não sabe de onde vieram (os estilhaços), se foi de um foguete, de um drone ou de outro tipo de munição".
Wang afirmou que não espera que a situação melhore tão cedo. Inclusive ressaltou ter ouvido que tripulantes de outros navios estão recebendo o dobro do salário durante a crise.
"Mas no nosso navio eu nem sequer consigo confirmar se vamos receber o bônus de guerra. E se o recebermos, ouvi dizer que será de apenas 700 dólares (3.643 reais), o que é muito pouco. Sinto que os riscos que estou correndo não são proporcionais à renda que recebo", destacou.
T.Batista--PC