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EUA faz forte revisão para baixo do PIB nos últimos meses de 2025
O PIB dos Estados Unidos no último trimestre do ano passado foi revisado significativamente para baixo nesta sexta-feira (13), devido a um resfriamento dos gastos dos consumidores, do governo e dos investimentos, segundo dados oficiais.
A economia cresceu a uma taxa de 0,7% ao ano no quarto trimestre de 2025, informou o Departamento do Comércio, muito abaixo do 1,4% estimado inicialmente.
Esta revisão reflete "correções para baixo das exportações, do consumo das famílias, do gasto público e do investimento", informou o governo.
As importações diminuíram menos que o estimado inicialmente, acrescentou.
Em todo o ano de 2025, o crescimento do PIB foi de 2,1%, um pouco abaixo dos 2,2% estimados previamente.
No terceiro trimestre do ano passado, o PIB dos Estados Unidos avançou 4,4%, destacou o Departamento do Comércio.
Os dados abrangem o primeiro ano completo do segundo mandato de Donald Trump na Casa Branca e chegam em um momento de preocupação com um resfriamento do mercado de trabalho e uma inflação persistente.
Quando as primeiras estimativas foram divulgadas, em janeiro, o líder republicano jogou a culpa na oposição democrata no Congresso pelo prolongado fechamento do governo, ocorrido no final do ano passado, o mais longo da história do país.
Os dados mais recentes sugerem que a maior economia do mundo está em um ponto mais frágil que o antecipado em meio à guerra iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã, que começou em 28 de fevereiro, e desde então arrastou a região rica em petróleo para o conflito.
Os ataques tiveram impacto nos mercados de energia e fizeram subir os preços dos combustíveis, gerando preocupações inflacionárias.
Um relatório aparte, publicado nesta sexta, mostrou que o indicador da inflação preferido pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano) ficou levemente abaixo do esperado em janeiro.
No entanto, o nível de 2,8% segue acima da meta de mais longo prazo do banco central, situada em 2%.
- Novas pressões nos preços -
"O decepcionante encerramento do ano refletiu, em grande medida, um lastro autoinfligido pelo fechamento do governo mais longo da história dos Estados Unidos, mas a demanda do setor privado também se moderou levemente", disse Gregory Daco, economista-chefe da EY-Parthenon.
"Os preços da gasolina tiveram o impacto mais imediato percebido pelos consumidores", assinalou a pesquisadora Joanne Hsu.
Embora Trump tenha insistido na redução das taxas de juros para aquecer a economia, o trabalho do Fed tem sido complicado pela inflação persistente e, agora, por novas pressões à medida que os custos da energia sobem.
Apesar de que a economia antes da guerra estava em boa forma, "se os preços da energia se mantêm perto dos níveis atuais, vão compensar com folga o impulso derivado do estímulo fiscal que tínhamos previsto", advertiu Michael Pearce, da Oxford Economics.
Isso poderia levar a uma revisão para baixo das previsões de gastos dos consumidores - motor crucial do crescimento - no primeiro semestre de 2026, destacou.
A.Magalhes--PC