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Políticos dinamarqueses procuram eleitores até na sauna
Em período eleitoral, os dinamarqueses costumam receber biscoitinhos e flores dos candidatos, mas é menos comum encontrá‑los seminus nas saunas, como acontece na campanha para as eleições legislativas de 24 de março.
"É um pouco diferente diferente, porque as pessoas estão relaxadas e estamos ali fechados, por isso não vamos embora", explicou sorridente Gitte Droger, uma eleitora de 53 anos que costuma frequentar a sauna de um centro recreativo no bairro de Vanlose, em Copenhague.
Dois candidatos do Partido Social‑Democrata da primeira‑ministra Mette Frederiksen encontraram eleitores para uma sessão de suor, vestidos com seus trajes de banho.
A deputada Ida Auken e o ministro da Justiça, Peter Hummelgaard, se uniram no domingo para conversar com 18 eleitores sobre clima, energia, desigualdade e criminalidade, enquanto jogavam água sobre as pedras quentes da sauna.
O calor era intenso e envolvente, enquanto o público — também em trajes de banho, sentado sobre toalhas em bancos de madeira — ouvia Auken e Hummelgaard expor suas ideias e responder às perguntas.
"É a primeira vez que faço campanha em uma sauna", declarou Auken à AFP. "Toda esta campanha eleitoral representou muitas novidades para mim, atividades de campanha diferentes: jogar handebol ou ir a bares em vez de sentar em mesas‑redondas", afirmou.
Hummelgaard experimentou pela primeira vez um banho de gelo entre duas sessões na sauna. "A campanha também tem de ser divertida", afirmou.
- "Seres humanos reais" -
Os social-democratas, no poder desde 2019 e à frente de uma coalizão de esquerda e direita, lideram as pesquisas de opinião pública com cerca de 21,5% dos votos, embora essa porcentagem seja seis pontos inferior à obtida nas eleições de 2022.
Espera-se que as negociações pós-eleitorais determinem a forma adotada no próximo governo. Neste país escandinavo, ter fácil acesso aos representantes eleitos é quase certo.
"É importante que as pessoas nos vejam de outra maneira, para que possam ver que somos seres humanos reais, ver o que nos move e recuperem alguma confiança", disse Auken, que concorre a um sexto mandato no Parlamento dinamarquês.
Os visitantes da sauna não passaram por qualquer controle antes de se reunirem com os políticos, e não havia segurança no evento.
Ver políticos na sauna não é algo inimaginável no país, contou a eleitora Miriam Hvidt.
"Na Dinamarca, não é nada estranho ver um ministro mergulhando em água gelada", indicou, acrescentando que é habitual encontrar políticos no supermercado ou no cinema.
"Não consigo imaginar que, em um país grande como os Estados Unidos, seja frequente ver uma autoridade de alto escalão misturada com a população", avaliou Hvidt.
L.Henrique--PC