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Irã está prestes a ser 'dizimado', garante premiê israelense
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, assegurou, nesta quinta-feira (19), que o Irã está prestes a ser "dizimado", quase três semanas após o início de uma guerra que fez os preços do petróleo dispararem, e considerou que o conflito terminará "muito antes" que o previsto.
"Depois de 20 dias, posso anunciar-lhes que o Irã hoje não tem mais a capacidade de enriquecer urânio e que não tem mais a capacidade de produzir mísseis balísticos", disse Netanyahu durante uma coletiva de imprensa televisionada.
O presidente americano, Donald Trump, tinha dito que o objetivo dos ataques que os Estados Unidos lançaram em conjunto com Istael, em 28 de fevereiro, e que desencadearam a guerra no Oriente Médio, era eliminar a ameaça nuclear iraniana.
Segundo o primeiro-ministro israelense, a capacidade de ataque do Irã foi reduzida consideravelmente. O Irã está "sendo dizimado" e Israel "está vencendo a guerra", afirmou Netanyahu.
Ele também disse que a guerra poderia terminar "mais rápido do que as pessoas pensam".
Mas, a chefe dos serviços de Inteligência americanos, Tulsi Gabbard, admitiu, em declarações ao Congresso, que, embora "muito enfraquecida devido aos ataques contra seus dirigentes e suas capacidades militares", a República Islâmica segue de pé.
Gabbard se negou novamente a confirmar as declarações de Trump, segundo as quais o Irã representava uma "ameaça iminente" antes da guerra. Embora Washington não tenha fixado um prazo para suas operações militares, o presidente americano disse, nesta quinta-feira, que não enviará tropas ao território iraniano.
- Ataques a instalações de gás -
O conflito ganhou novos contornos com ataques diretos a pontos de produção de combustíveis e não só a instalações de armazenamento e transporte.
A reviravolta das últimas horas se deu com o ataque israelense, na quarta-feira, contra a gigantesca jazida gasífera de South Pars-North Dome, compartilhada por Irã e Catar, que é a maior reserva de gás conhecida do mundo.
Ao longo do dia, o barril de Brent do Mar do Norte escalou para 114,64 dólares e o West Texas Intermediate (WTI) passou brevemente dos 100 dólares, mas os preços recuaram durante a tarde. Desde o início do conflito, o Brent subiu cerca de US$ 40 e o WTI, aproximadamente US$ 30.
Em represália ao ataque contra sua jazida, o Irã atacou, na quarta e na quinta-feira, Ras Lafan, no Catar, o maior complexo industrial e porto de exportação de gás natural liquefeito (GNL) do mundo.
As represálias iranianas atingiram uma refinaria saudita às margens do Mar Vermelho, com capacidade de processar mais de 400.000 barris diários de petróleo bruto, e duas refinarias da estatal petroleira do Kuwait, com capacidade combinada de 800.000 barris.
A Arábia Saudita advertiu que "se reserva o direito" de responder militarmente ao Irã, que ataca regularmente seu território com drones e mísseis, enquanto o Catar afirmou que o bombardeio contra sua infraestrutura é uma "prova clara" de que a República Islâmica não ataca apenas interesses dos Estados Unidos.
Israel "agiu por conta própria", disse Netanyahu. "O presidente Trump nos pediu para suspendermos qualquer novo ataque e assim faremos", acrescentou.
Se outras infraestruturas forem atacadas, o preço do petróleo "provavelmente vai passar dos 120 dólares de imediato, com um potencial de alta adicional", avaliou Aditya Saraswat, analista da Rystad Energy.
Para colocar mais petróleo no mercado, Washington planeja suspender certas sanções ao petróleo bruto iraniano, mas apenas o que já está armazenado no mar em navios, segundo o secretário do Tesouro, Scott Bessent.
Na mesma linha, os países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) começaram a liberar reservas de petróleo, como tinha sido anunciado em meados de março. Está prevista a dispobinilização de um total de 426 milhões de barris.
- Corredor de evacuação -
A Organização Marítima Internacional (OMI) pediu um coredor seguro para os navios bloqueados nesta via marítima. Segundo a entidade, 20.000 marinheiros aguardam a bordo de 3.200 navios.
Após um apelo americano que inicialmente tinha ficado sem resposta, França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Países Baixos e Japão se declararam "dispostos a contribuir" para dar segurança à navegação pelo estreito.
Na capital iraniana, quase nada sugeria, nesta quinta-feira, que o país estivesse mergulhado na guerra. Na véspera do Nowruz, o Ano Novo persa, habitualmente comemorado com grande fartura, o centro da cidade estava com o trânsito engarrafado, embora com uma presença de forças de segurança maior que o habitual.
Em Qom, cidade santa ao sul de Teerã, um multidão participou do cortejo fúnebre de Ali Larijani, chefe de segurança assassinado por Israel, antes de seu enterro.
burx-maj/mas-avl/pc-an/pb/mvv/aa/ic
P.Cavaco--PC