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Irã ameaça instalar minas no Golfo apesar do ultimato de Trump
O Irã ameaçou posicionar minas navais no Golfo e atacar as instalações de energia elétrica dos Estados Unidos em caso de ataque contra a costa do país, em um claro desafio ao ultimato do presidente americano, Donald Trump, sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, que expira esta noite.
A nova escalada acontece após a Agência Internacional da Energia (AIE) advertir que a guerra no Oriente Médio poderia desencadear a crise energética mundial mais grave das últimas décadas.
A disputa está concentrada no Estreito de Ormuz, uma via estratégica para o abastecimento mundial de hidrocarbonetos.
Trump anunciou no sábado um ultimato em que ameaçava o Irã com a destruição de suas centrais de energia elétrica se o país não reabrisse o Estreito de Ormuz em 48 horas – 20h44 de Brasília desta segunda‑feira, madrugada de terça‑feira no Irã.
O Conselho de Defesa iraniano respondeu que qualquer ataque às suas costas ou ilhas levaria o país a colocar "em todas as rotas de acesso e nas linhas de comunicação no Golfo Pérsico e nas zonas costeiras" vários "tipos de minas navais, incluindo minas à deriva".
O Exército iraniano também ameaçou fechar completamente o estreito e atacar "todas as infraestruturas energéticas, de tecnologia da informação e de dessalinização de água pertencentes aos Estados Unidos" na região, segundo a agência Fars.
A imprensa estatal iraniana publicou listas de possíveis alvos de infraestruturas energéticas no Oriente Médio. O site Mizan Online, publicação online do Poder Judiciário, divulgou infografias, incluindo as de Orot Rabin e Rutenberg em Israel, as duas principais centrais elétricas do país.
Outra infografia, publicada pela agência Mehr e com o título "Digam adeus à eletricidade!", apresenta potenciais alvos na Arábia Saudita e nos países do Golfo.
Em caso de ataques contra as suas instalações elétricas, "toda a região mergulhará na escuridão", afirmou a imprensa.
Por sua vez, o diretor da AIE, Fatih Birol, afirmou que o mundo perde 11 milhões de barris de petróleo por dia, ou seja, mais do que o volume diário eliminado durante as duas crises do petróleo consecutivas da década de 1970.
O Estreito de Ormuz está praticamente fechado desde o início da guerra, já que o trânsito de mercadorias caiu 95%, segundo a empresa de análise Kpler.
Poucos petroleiros e cargueiros conseguiram atravessar esta via marítima, por onde transitava 20% da produção mundial de hidrocarbonetos antes do conflito.
"Nenhum país ficará imune aos efeitos desta crise se ela continuar avançando nessa direção", declarou Birol a jornalistas durante um evento na Austrália.
A China anunciou que limitará a alta do preço dos combustíveis e a Grécia passou a aplicar subsídios que podem chegar a 300 milhões de euros para combustíveis e fertilizantes.
A Suécia também informou que reduzirá temporariamente os impostos sobre a gasolina e o diesel a partir de 1º de maio, até o final de setembro.
- 40 instalações de energia atingidas -
A China, que até o início da guerra seguia um discurso de prudência, advertiu sobre o risco de uma situação "incontrolável". A Rússia defendeu uma "via política e diplomática".
As Bolsas asiáticas fecharam a segunda-feira em queda expressiva: Tóquio perdeu 3,47% e Seul recuou 6,5%.
Com a esperança de conter a escalada do petróleo, os Estados Unidos autorizaram na sexta-feira, por um mês, a venda e a entrega do petróleo iraniano que está em navios. Teerã, no entanto, afirmou que não tem qualquer excedente de petróleo bruto em navegação.
Pelo menos 40 "infraestruturas energéticas na região estão gravemente ou muito gravemente danificadas ao longo de nove países" do Oriente Médio, afirmou o diretor da AIE.
Nesta segunda-feira, o Exército israelense anunciou uma "onda de ataques" em Teerã. Um jornalista da AFP ouviu explosões no centro da capital, que estremeceram as janelas dos imóveis.
- Angústia em Teerã -
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, advertiu que a campanha contra o Irã pode durar bastante tempo. A capital iraniana é dominada pela angústia.
"A única coisa que todos sentimos em comum neste momento é a incerteza sobre o fim desta guerra", afirmou Shiva, uma mulher de 31 anos, moradora de Teerã.
A noite também foi marcada por ataques nos Emirados Árabes Unidos, no Bahrein e na Arábia Saudita.
Enquanto Washington mantém a ambiguidade sobre o fim de suas operações militares, Israel anunciou no domingo que se prepara para "várias semanas de combates contra o Irã e o Hezbollah", o grupo pró-iraniano no Líbano.
Israel anunciou que planeja "intensificar as operações terrestres seletivas e os bombardeios" no Líbano para afastar o Hezbollah "da fronteira", afirmou o comandante do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, antes de destruir uma ponte estratégica no sul do Líbano, utilizada, segundo Israel, pelo Hezbollah.
O presidente libanês, Joseph Aoun, denunciou um "prelúdio a uma invasão terrestre" de seu país, onde a guerra provocou mais de mil mortos e um milhão de deslocados.
burs/hmn/fox/mas/jvb/fp/aa
E.Paulino--PC